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O avençado que quer ter opinião política

No pouco veraneante dia 13 de agosto, Álvaro Castello Branco, líder da distrital do CDS/Porto e ex-vice-presidente de Rui Rio, decidiu indignar-se em representação da agremiação local por “haver um avençado da Câmara Municipal do Porto que quer ter opinião política”.

Deixando de lado o que senhor possa pensar sobre a existência de sindicatos, greves, manifestações públicas e outras exposições públicas, o referido “avençado” é Tiago Guedes, recentemente nomeado, após concurso público, diretor artístico do Teatro Municipal Rivoli, que se considerou no direito de ter o descaramento, a distinta lata e o divino atrevimento de constatar o óbvio: o Rivoli “não tem sido bem cuidado”, foi deixado “em muito mau estado pelo Filipe La Féria” e criticou, veja-se lá, a “inexistência de uma política cultural” na cidade nos últimos anos.

Como se sabe, uma opinião altamente polémica e de uma grosseira injustiça, principalmente para os pais da corrida de calhambeques.

Não bastasse a maledicência, intolerável num Estado de Direito Democrático, entende ainda o jovem diretor que o Teatro do Campo Alegre é uma “ferramenta de luxo”, que deve ser posta ao serviço das pessoas. Não sei como é que o CDS deixou escapar esta.

Felizmente temos Castello Branco, caso contrário ainda se naturalizaria na sociedade portuguesa o direito à liberdade de expressão, quando se tem uma avença, um contrato de prestação de serviços ou quiçá um contrato por conta de outrem. Com essa libertinagem e ideário passadiço é que não poderíamos viver em comunidade.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Sociólogo.
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