A mais recente versão do capitalismo, designado neoliberal, não tem rosto, é oculto nas manigâncias mais obscuras, não poupa nada nem ninguém, mesmo aqueles pequenos capitalistas tradicionais, que ainda pensam que fazem parte do grupo.
O capitalismo neoliberal apresenta uma enorme vantagem sobre as anteriores etapas da sua evolução, pois conta agora com uma incompreensível inacção de uma parte importante da população a quem incutiu falsos valores, nomeadamente pelo uso de informações falaciosas e de narrativas ilusórias, ou mesmo de apelo ao ódio, ao racismo e a formas de xenofobia.
Nada é mais triste e confrangedor do que assistir aos explorados com argumentos dos seus próprios exploradores, mas é precisamente isso que se passa nos nossos dias.
Desde há algum tempo que alguns pensadores têm vindo a denunciar a existência de uma guerra cultural, lançada através de centrais altamente especializadas, e que têm como finalidade o socavar a cultura dos povos com um manancial de falsas teorias que promovem a competição e a rivalidade de forma insana.
Tudo terá começado anos atrás, nos consulados de Ronald Reagan e de Margareth Thatcher, mas é com a eleição de Donald Trump que a situação se tornou critica. Começou por se rodear de extremistas neoliberais, associados a racistas e negacionistas, supremacistas brancos com o apoio de muitas igrejas evangélicas radicais, o governo dos Estados Unidos tratou de difundir a sua ideologia, apoiando a extrema-direita por toda a Europa, criando uma espécie de internacional extremista com obediências e políticas comuns.
A loucura imperialista de Trump, estranhamente, ou não, aliada a outra idêntica de Putin, ameaçam perigosamente a paz e a convivência entre os diversos estados.
O permanente desrespeito pelas normas estabelecidas pela ONU e por outras instâncias internacionais aceites pelos povos, conduz a uma situação de vazio, a que os ideólogos da violência e do imperialismo estão a responder com a criação de uma organização paralela, inteiramente subserviente que servirá os interesses de Trump, Putin, Netanyahu, Javier Milei, de outros sequazes do poder neoliberal e personagens do mesmo calibre. Chamam-lhe “Board of Peace”, mas o nome é muito enganador.
A criação desta nova organização, alegadamente para a paz, criada por esta gente, não passa de um pretexto para cobrir todas actividades ilegais, como invasões, pirataria, rapina de matérias primas e interferências políticas e afins, seja no caso da Gronelândia, da Ucrânia, da Venezuela, do Irão ou de Gaza.
A rapidez e a utilização permanente da mentira, das falsas noticias, das calúnias, de narrativas de ódio, da violência, passando pela articulação com organizações de tipo paramilitar, verdadeiras milícias fascistas, resulta na ascensão de um sector da sociedade sem moral, nem decência, capaz de tudo para sustentar o seu fátuo poder.
É contra esta situação calamitosa que os democratas e humanistas se devem erguer, congregando esforços para lhe retirar o falso poder conseguido de forma manipulada e também irregular.
A Europa deixou-se adormecer sob o manto atómico da defesa americana, primeiro contra a União Soviética, agora já não se sabe muito bem contra quê, dadas as estranhas alianças de Trump e Putin. Os tão proclamados valores europeus são esquecidos, deitados ao lixo para agradar ao capital neoliberal e ao seu imperador.
A Europa, nomeadamente a União Europeia, perdeu a noção da sua importância industrial e comercial no mundo, limita-se a ser um cliente das empresas americanas e chinesas, perdendo completamente o controlo sobre o desenvolvimento económico.
A falta de credibilidade dos partidos da direita tradicional e a manifesta incapacidade da esquerda de se apresentar ao eleitorado de forma consistente tem levado ao crescimento da extrema-direita política, interligada com grupos neofascistas armados e violentos.
É o que vemos acontecer no nosso país. As forças de extrema-direita, mais caceteiras ou mais fofinhas crescem e começam a proliferar juntamente com grupos armados que se propõem lançar uma guerra de carácter racista.
É sabido que as redes sociais mundiais são detidas por apenas seis magnatas. No caso da comunicação social, escrita, falada ou visual a situação é periclitante. A informação está, assim, na mão de uns poucos que dela fazem uso para servir os interesses de um grupo cada vez mais reduzido e perigoso, os oligarcas neoliberais.
Só uma posição firme e concertada por parte dos países europeus e das democracias do mundo pode travar a insana voracidade imperialista dos aliados Trump e Putin. É esse o caminho a seguir!