Negociações ou coreografias

porFrancisco Alves

24 de fevereiro 2026 - 13:30
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A ministra do Trabalho continua a manter a sua intenção de levar ao Parlamento a sua proposta, com ou sem acordo na Concertação Social e pressiona os parceiros sociais dizendo que a discussão não se pode eternizar. Face a esta atitude obstinada e manipuladora do governo, o que importa é que ninguém, neste turbilhão de estratégias comunicacionais, ceda na defesa dos direitos dos trabalhadores.

Vivemos tempos difíceis, em que somos postos à prova pelos comboios de tempestades que fruto das alterações climáticas assolaram o País e deixaram literalmente tantos sem teto e trabalho e aqui precisamos que Lay-off seja pago a 100% a todas e todos os trabalhadores.

Contudo, neste tempo de calamidade, nos gabinetes ministeriais realizavam-se “reuniões técnicas”, para contornar o enorme furacão para o mundo do Trabalho e para a Sociedade que é a violenta proposta do Pacote Laboral apresentada no dia 24 de Julho de 2025 pela ministra mais radical deste governo.

Quem se empenhou nesta coreografia, ignorou a Greve Geral realizada no passado dia 11 de Dezembro, que juntou as duas centrais sindicais e contou com a participação massiva de trabalhadores do sector privado e do sector público que nesse mesmo dia trouxe à rua uma enorme massa de gente jovem que em muito ultrapassou o nicho sindical habitual destas manifestações. Foi um momento forte e lindo!

Após uma reunião falhada no passado dia 18 de Fevereiro, onde a ministra e o governo ficaram a falar sozinhos com os patrões, por ausência anunciada da UGT e a inadmissível e repetida não chamada da CGTP, a radical ministra lá conseguiu uma reunião fora do âmbito da Concertação Social na segunda-feira dia 23, de onde saiu uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

Basta ouvir as declarações públicas dos vários intervenientes de que destaco as de Mário Mourão sublinhando que “é evidente que temos uma barreira, que são as chaves mestras e as linhas vermelhas”, destacou a necessidade de perceber “se há a possibilidade de haver pontes de consenso. Se não houver, naturalmente, não haverá nenhum acordo”. O secretário-geral da UGT afirmou que “não vamos para já falar de cedências. Sobre cedências tem que haver por todos. Se não houver a UGT também não fará cedências".

Depois desta coreografia negocial, ficou agendada uma reunião plenária da Comissão Permanente da Concertação Social para o dia 3 de Março, e aí não podem evitar a presença da CGTP que com certeza manterá a sua posição entregue em Setembro 2025 e agora enviada diretamente ao Primeiro-Ministro a 18 de Fevereiro.

É certo que a radical ministra continua a manter a sua intenção de levar ao Parlamento a sua proposta, com ou sem acordo na Concertação Social e pressiona os parceiros sociais dizendo que a discussão não se pode eternizar. Não quer perceber o enquadramento político diferente que resultou da eleição do novo Presidente da República e aposta em pequenas alterações cosméticas para manter o essencial da sua gravosa proposta.

Face a esta atitude obstinada e manipuladora do governo, o que importa é que ninguém, neste turbilhão de estratégias comunicacionais, ceda na defesa dos direitos dos trabalhadores.

A derrota deste Pacote Laboral passa por manter a política de unidade e convergência na ação e firmeza na luta que uma vez mais vai sair às ruas em manifestações no Porto e Lisboa no sábado dia 28 de Fevereiro.

Calha no dia de aniversário do Bloco de Esquerda, mas a festa também é luta e estamos todas e todos convocados para a fazer pelos direitos do Trabalho.

Francisco Alves
Sobre o/a autor(a)

Francisco Alves

Ativista laboral e social, Ex-dirigente sindical
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