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Não queremos portugueses de primeira e portugueses de segunda

Na Assembleia Legislativa da Região dos Açores, debateram-se duas iniciativas, do Bloco de Esquerda e do PSD, ambas com o mesmo teor: a eliminação do fator de sustentabilidade.

No último plenário, na Assembleia Legislativa da nossa Região, debateram-se duas iniciativas, do Bloco de Esquerda e do PSD, ambas com o mesmo teor: a eliminação do fator de sustentabilidade - um mecanismo para aplicação de cortes nas reformas antecipadas.

No entanto, havia uma grande diferença, que é também aquilo que nos separa em muitas situações. A proposta do PSD assentava na sua limitação, e na discriminação, focando-se somente num único grupo de pensionistas. A do Bloco de Esquerda era, como o sempre fazemos, mais abrangente, mais justa e mais equitativa.

O que o PSD pretendia fazer, era deixar para trás pessoas que se encontram com o mesmo corte nas suas reformas, em que algumas são reduzidas, de pescadores, trabalhadores marítimos, pilotos, controladores de tráfego aéreo e todas as outras profissões que se encontram abrangidas por um regime de exceção, na eliminação desse corte nas suas reformas.

Na verdade, o PSD pretendia criar uma exceção dentro de uma... exceção.

PSD, CDS e PPM, partidos que suportam este governo, revelaram que as eleições que se avizinham valem tudo e que não têm qualquer pudor em deixar pessoas para trás, embora vivam o dia a dia com o mesmo problema. Uma vez que a matéria de pensões é de competência nacional, esta proposta será debatida na Assembleia da República e ao contrário do que os partidos da coligação queriam, os Açores dão um sinal de que não existem portugueses de primeira e portugueses de segunda.

Falta-nos saber qual será o sentido de voto destes partidos na Assembleia da República... não nos podemos esquecer de que o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, na República, já apresentou diversas vezes propostas para resolver esta situação, sendo que PSD e CDS votaram contra.

Ou seja, a situação dos antigos trabalhadores da Base das Lajes, bem como de todos os outros grupos de profissões, já podia estar resolvida, não tivesse sido o voto contra destes partidos.

Duas coisas são certas: justiça e equidade não têm sido conceitos utilizados pelo atual governo, nesta e noutras matérias. Transparência, também não.

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores. Licenciada em Educação. Ativista pelos Direitos dos Animais. Coordenadora do Bloco da Ilha Terceira
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