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Nada mais saboroso do que uma boa crise

Com dados de cerca de 90% das empresas do S&P500, a mediana dos pagamentos dos seus CEO subiu pelo quinto ano consecutivo e superou os 13 milhões de dólares. Chova ou faça sol, quem manda é quem ganha.

Os dados são do “The Economist”, que os trata com inquietação: nos sectores da aviação e do turismo, os mais atingidos pela pandemia, os presidentes de grandes empresas mundiais fizeram-se pagar generosamente, mesmo quando os seus grupos empresariais acumulavam prejuízos e em alguns casos eram socorridos pelos Governos. A revista apresenta três exemplos: o presidente da GE, cujo sector de aviação se afundou, triplicou o seu pagamento; o da cadeia Hilton ganhou mais 161% do que em 2019; o da Norwegian Cruise Line, paralisada pela pandemia, mais do que duplicou os seus rendimentos. Nos três casos, estes administradores faziam parte de uma longa lista de chefes empresariais que tinham anunciado uma redução dos seus próprios salários e bónus, solidarizando-se com os seus empregados, que, em lay-off, com perdas salariais ou despedidos, passavam pela agrura da crise. A promessa valeu de pouco e no momento de acertar contas mantiveram uma solidariedade inapelável com eles mesmos.

Acrescenta a revista, com dados de cerca de 90% das empresas do S&P500, que a mediana dos pagamentos dos seus CEO subiu pelo quinto ano consecutivo e superou os 13 milhões de dólares. Chova ou faça sol, quem manda é quem ganha.

Artigo publicado no jornal “Expresso” a 24 de setembro de 2021

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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