A tempestade deste fim-de-semana obrigou milhares de trabalhadores a abdicarem do seu descanso para reconstruir linhas de eletricidade, de caminhos de ferro, telefónicas, redes de águas, estradas… Estas pessoas enfrentaram a tempestade trabalhando [enquanto nós nos refugiávamos no quentinho das nossas casas] em troca de metade, ou menos de metade, do pagamento que estipula os seus Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) e terão metade, ou menos de metade, do descanso a que deveriam ter direito.
A luta pela defesa do princípio mais favorável, normalmente o consignado no ACT, tem tido expressão de luta mais visível quando os trabalhadores dos transportes entram em greve nos dias feriados.
Algumas pessoas dirão que é um “luxo” ter horas extraordinárias pagas, que já é bom ter trabalho, é a perspetiva “antes assim que pior”. Noutra perspetiva, outras pessoas dirão que o ACT foi negociado livremente entre sindicato e entidade patronal, portanto deve ser respeitado, que não reconhecem imperatividade ao Código até porque a Autoridade das Condições de Trabalho veio dar razão à queixa da CGTP. Outras pessoas dirão que na dignidade do trabalho está o direito ao descanso, que não somos animais domesticados prontos a responder ao chamamento do dono – agora tratados a metade da ração antes atribuída. Outras dirão, e dizem, “não nos vencerão às primeiras”, merecemos respeito, a resistência é um dever do homem livre!
Há uma diversidade nas organizações, há uma diversidade nas respostas. As greves, os protestos informais, os plenários, as petições, o pedido de inconstitucionalidade do artº 45º do orçamento de estado solicitado por BE, PCP e Verdes para similar situação na função pública, outras intervenções e ações parlamentares… Essa diversidade é necessária e útil, ela responde à consigna “todos juntos pela luta toda”!
A retirada de direitos que motivou a luta em curso afeta, com mais evidência, os trabalhadores que são obrigados a laborar em horários de turnos ou fora das faixas normais de trabalho. Ao afetar, de forma mais gravosa, serviços e empresas estratégicas este ataque aos direitos é também um ataque aos sindicatos e organizações dos trabalhadores mais fortes e de maior capacidade de luta – como as greves gerais evidenciam. Cortando “a cabeça à resistência” atual, mais fácil será para o governo atacar a generalidade dos trabalhadores.
Esta petição tem sido uma interessante ferramenta de discussão entre trabalhadores – dentro das empresas. Ela tem sido uma forma de debate com aqueles que acham só dever lutar para si próprio enquanto indivíduo – a consciência de classe é muito fraca -, e com aqueles que acham que não vale a pena lutar – a falta de esperança e de motivação é geral. Mas também tem sido interessante o debate com aqueles que só vêm a luta standartizada e hierarquizada, “o tempo agora é o das lutas”; não percebem que a luta é tudo, nem conseguem ver uma coisa tão simples como o valor do debate político e ideológico que se pode e necessitamos fazer dentro das empresas a partir de ativistas que estão dentro das empresas.
Assim, é necessário valorizar a luta dos trabalhadores, fomentar canais de solidariedade, contribuir para tentar que a luta não seja isolada, ajudar a despertar cidadanias e tentar apoiar - por pouco que seja – uma luta ampla e prolongada.
O teu contributo conta. Recolhendo assinaturas ou divulgando o evento do facebook, apoia os trabalhadores em luta.
A petição, ao ser proposta por trabalhadores efetivos, precários e desempregados, dirigentes sindicais e de Cts, ativistas de movimentos sociais ou simplesmente lutadores, transmite uma mensagem: agora é “tod@s, por tod@s”!