Temos feito esta campanha a mostrar que o Bloco de Esquerda é um partido especial. E em muitas coisas é único. Pertencemos a uma esquerda que soube abrir espaço – aos empurrões, às vezes – para fazer das mulheres protagonistas da política.
Não é coisa pouca. Basta pensar que há 51 anos não existia sufrágio universal feminino em Portugal. Em 50 anos conseguimos que a política também seja uma coisa de mulheres. Mais, uma coisa de mulheres livres que exercem o seu direito de voto sem tutelas. Ou será que não?
Na semana passada estive a fazer campanha porta a porta no Pinhal Novo, onde batemos mesmo à porta das pessoas para as ouvir e falarmos sobre as propostas Bloco para responder aos seus problemas reais como o preço das rendas e a crise nas urgências.
Na primeira campainha a que tocámos, veio uma senhora abrir a porta. Eu apresentei-me, ela foi simpática e entreguei-lhe o folheto de campanha do Bloco. Quando estávamos a começar a conversar, apareceu o marido, arrancou-lhe o folheto da mão e disse que ela não podia falar connosco e obrigou-a fechar-nos a porta na cara.
Desde então anda-me a martelar a frase que ouvi há dias na televisão: “é preciso cuidar das nossas mulheres, do seu papel na sociedade e na família”. Disse-a Pedro Nuno Santos, Secretário-Geral do Partido Socialista. E eu digo que nós não somos as vossas mulheres, e não queremos que cuidem do nosso lugar na família e na sociedade, porque esse lugar não é a liberdade. Nós queremos lutar com as mulheres para mudar o seu papel na sociedade e na família. Lutamos ao lado de mulheres que lideram movimentos e lutas históricas, pelos direitos de quem trabalha, pela vida independente, pelo antirracismo, pelas mulheres ciganas ou pelo direito ao aborto. Para mudar o seu papel na sociedade.
Há 20 anos que o Bloco lidera a política feminista neste país. Contra a violência doméstica, pela paridade, no debate sobre menopausa, no combate à violência obstétrica. E fazemo-lo em nome da liberdade. Porque nos mulheres também queremos ser livres, livres de violência, livres de assédio e livres de paternalismos.
Liberdade é mandar abaixo grupos de Telegram onde circula violência sexual como entretenimento. Liberdade é regular redes sociais onde a misoginia é promovida. Liberdade é receber o mesmo salário pelo mesmo trabalho.
Não há uma conquista feminista neste país que não tenha a marca do Bloco de Esquerda! Há quem em Portugal, dizendo que defende os direitos das mulheres, exerce uma cumplicidade oportunista. Essa é a tarefa da direita portuguesa que toda unida no parlamento está “unida numa guerra cultural contra a igualdade de género.
Hoje sabemos que enfrentamos uma nova vaga de machismo, e sabemos bem que tipo de homem ocupou a Casa branca. Mas também é preciso denunciar o oportunismo cúmplice de quem quer um apagão da igualdade de género na educação: é isso que une toda a direita. Liberdade também é tomar o este palco para dizer claramente ao candidato Luis Montenegro que alguém que desvaloriza a violência doméstica porque lhe dá jeito, não serve para Primeiro-Ministro. Quem desvaloriza o maior problema de segurança pública que existe neste país – a maior fonte de criminalidade violenta – porque lhe dá mais jeito uma outra narrativa sobre criminalidade, não serve para liderar um Governo neste país
E por isso não tenhamos dúvidas: aquilo que fazemos todos os dias no Bloco de Esquerda – ouvir mulheres que abriram caminho num mundo de homens – é um ato de liberdade. Nós não somos catavento dos tempos, não mudamos a política com as modas. Estamos aqui e continuaremos aqui a lutar pelos direitos das mulheres.
No dia 18 de maio, o voto pela liberdade das mulheres é o voto no Bloco de Esquerda.