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Luta contra as alterações climáticas: temos tudo a ganhar

Diversos fenómenos nos últimos dias têm aprofundado o agudizar da consciência social sobre a crise climática. Na última semana dezenas de pessoas morreram no Canadá no meio a uma onda de calor sem precedentes que bateu recordes de temperatura.

A agenda climática tem ocupado desde há algum tempo a nossa agenda político-social. Um pouco por todo o lado vemos apelos à sustentabilidade, tal como o desespero provocado pela iminência da irreversibilidade e os gritos ansiosos dos cientistas e dos ativistas.

No meio de tudo isto, é possível não sabermos ao certo o que fazer. A presença do caos parece levar-nos ao extremismo político, e a possibilidade de perdermos a relativa segurança com que vivemos pode ser aterradora.

Diversos fenómenos nos últimos dias têm aprofundado o agudizar da consciência social sobre a crise climática. Na última semana dezenas de pessoas morreram no Canadá no meio a uma onda de calor sem precedentes que bateu recordes de temperatura.

A polícia de Vancouver respondeu a mais de 130 mortes súbitas desde sexta-feira (25/06). A maioria era de idosos ou pessoas com problemas de saúde pré-existentes.

O Canadá quebrou seu recorde de temperatura pelo terceiro dia consecutivo na terça-feira passada - atingindo 49,6°C em Lytton, na Colúmbia Britânica, província que fica na costa oeste do país.

O noroeste dos Estados Unidos também registou temperaturas recordes e uma série de fatalidades. Especialistas e políticos não tiveram dificuldade em associar a onda de calor às alterações climáticas.

 

Noutra região do globo, a ONU declara que Madagáscar é o primeiro país onde se passa fome devido às alterações climáticas. As secas fizeram com que fosse impossível plantar o que quer que seja numa terra outrora fértil. A ajuda demora a chegar — quer pela covid-19, quer pela falta de recursos. E a população tenta comer o que pode: dos frutos de cactos a gafanhotos e pequenos tubérculos.

O fosso entre a retórica e a ação torna-se cada vez mais incomportável e impossível. Só juntas poderemos fazer face ao discurso branqueado promovido pelos mesmos agentes da destruição climática- com isso, temos tudo a ganhar

Em simultâneo, no México a ruptura de um oleoduto de gás no Golfo do México provocou um incêndio em pleno mar, provocado por uma fuga ocorrida na plataforma de extração. Ainda não foi possível averiguar os impactos climáticos que este acidente provocou, no entanto, uma série de ativistas climáticos, entre os quais Miyoko Sakashita, a pronunciaram-se sobre a gravidade e sujidade da extração levada a cabo pelas petrolíferas nesta região do globo.

As imagens do oceano a arder são a arma dos ativistas contra a narrativa de negacionismo perante as alterações climáticas e a inação governamental. Certamente terão provocado a angústia do desastre que ainda vamos a tempo de evitar, se nos comprometermos com o combate com um planeta para todos e todas, com políticas que mudem não só o nosso país, mas o mundo.

De acordo com os ajustes feitos aos cálculos do IPCC, sabemos que temos somente sete anos para impedir a irreversibilidade das alterações climáticas. Sabemos que isso implica que temos de cortar pelo menos 50% as emissões carbónicas e também temos consciência de que estes cortes devem ter como critério a responsabilidade histórica, por exemplo, em países da UE, que tiveram o seu desenvolvimento industrial mais rápido e precoce, em detrimento dos atrasos em outros países. Assim, os países da Europa devem ser os primeiros a assumir uma iniciativa maior de corte destas emissões.

Também sabemos que não serão os nossos políticos a implementar estas transformações por vontade própria. As políticas “verdes” olham para a crise climática como uma oportunidade para novos negócios, para uma indústria e tecnologia “verdes”, contando com a manutenção da organização social atual e a benevolência e inovação de agentes que ainda não existem.

O fosso entre a retórica e a ação torna-se cada vez mais incomportável e impossível. Só juntas poderemos fazer face ao discurso branqueado promovido pelos mesmos agentes da destruição climática- com isso, temos tudo a ganhar.

Sobre o/a autor(a)

Estudante e ativista da Greve Climática Estudantil.
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