Levar os Açores a sério

porAntónio Lima

11 de dezembro 2023 - 22:24
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A solução de governo engendrada por Bolieiro significou sempre instabilidade para os Açores e para a vida das pessoas. A degradação dos serviços públicos é um sintoma da instabilidade permanente.

Na semana passada assistimos a um volte-face político, com a coligação PSD/CDS/PPM a dar o dito por não dito, passando do dia para a noite a defender eleições antecipadas ao perceber que a ideia peregrina do “segundo orçamento” não tinha pernas para andar. Assim se demonstrou o absurdo da teimosia da coligação que queria negociar sem interlocutores e arrastar os Açores para um penoso e inútil processo de análise de um segundo orçamento.

Perante esta cambalhota do Governo Regional de direita, torna-se bastante simples de adivinhar qual será a decisão do Presidente da República após a reunião do conselho de estado de dia 11 de dezembro. Perante o pântano político criado pela direita, a única saída é a clarificação nas urnas. A solução de governo engendrada por Bolieiro significou sempre instabilidade para os Açores e para a vida das pessoas. A degradação dos serviços públicos é um sintoma da instabilidade permanente.

Mas as atitudes absurdas do Governo Regional e dos partidos da coligação continuam. Em vez de assumirem as suas responsabilidades no fim antecipado da legislatura e o falhanço do projeto político que construíram com o CH e a IL, insistem no absurdo de culpar a oposição pelo seu falhanço.

Fui confirmar e não vi o PSD e o CDS, nem sequer os deputados do PSD/Açores na Assembleia da República votarem a favor do Orçamento do Estado para 2022, quando esse foi rejeitado, o que levou à queda do Governo da República de então. Muito menos vi alguém a atirar responsabilidades ao PSD, o que seria ridículo. Como é ridícula a postura da coligação nos Açores em 2023.

Para além disso, é ensurdecedor o silêncio de Bolieiro quanto ao CH, parceiro do governo que adotou a cínica abstenção como posição política na votação do orçamento. Certamente que Boleiro e os seus parceiros sonham com um possível governo com o CH.

O discurso da vitimização do Governo Regional de direita também continua e parece ser a única mensagem que têm a transmitir aos açorianos: que são vítimas de uma cabala. Até o falhanço da privatização da SATA Internacional já é culpa da dissolução da Assembleia Legislativa. Como é evidente a “suspensão” do processo de privatização deve-se ao facto dos concorrentes ao processo de privatização não darem qualquer garantia de que haveria SATA Internacional depois da privatização. As preocupações lançadas pelo Sindicato dos Pilotos sobre o mais provável comprador da SATA Internacional e a pontuação que o júri do concurso lhe atribuiu - 46,69 em 100 - revelam que vender a companhia nestas condições seria criminoso.

E assim, tal como em 2018 o Governo Regional do PS, utilizou uma fuga de informação para anular um concurso para a privatização de 49% da SATA Internacional, a direita usa o mesmo método: arranjar um pretexto para esconder as suas falhas. Em vez de investir tempo e esforço em recuperar a companhia, perdem tempo a tentar destruí-la.

O tempo é de olhar para o futuro e responder aos problemas dos Açores. Basta de vitimização e de justificações sobre o orçamento. É de respostas, de propostas e soluções concretas que os Açores precisam. Os açorianos e açorianas sabem que podem contar com o Bloco de Esquerda para levar os Açores a sério.

António Lima
Sobre o/a autor(a)

António Lima

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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