Lampedusa, nome de uma ilha siciliana, transporta-nos, à partida, para imagens de luz com um pano de fundo de imenso azul . Talvez por isso tenha sido o destino de milhares de turistas que a escolheram como destino de férias! Mas de há muito que deixou de ser a escolha de quem procura lazer.
Hoje, não são os turistas que trazem Lampedusa para a primeira página dos jornais. A ilha transformou-se em local de recorrentes imagens de tragédia. É o paradigma das consequências da legislação europeia que empurra para a imigração ilegal dezenas de milhar de cidadãos, oriundos de diversos países africanos, vítimas do desespero. Não é o turismo o seu cartaz de apresentação, mas as consequências de perseguições e da fome que faz chegar às suas costas dezenas de milhar de homens, mulheres e crianças que tiveram como único objetivo a luta pela sobrevivência!
A recente tragédia do afundamento de um barco que transportava cerca de quinhentos imigrantes ilegais, dos quais mais de trezentos perderam a vida, é, apenas, a ponta do icebergue Nos últimos anos, cresceu, exponencialmente, o número de vítimas de uma política europeia que promove a desigualdade nos seus cidadãos e fecha as fronteiras a quem, ainda, acredita no sonho europeu.
O Mediterrâneo transformou-se num imenso cemitério, e os sobreviventes defrontam condições de vida sub-humanas num campo de refugiados sobrelotado. Homens, mulheres e crianças vivem em condições indignas, e muitos dormem ao relento, porque não há hipótese de os alojar. A Itália e os restantes países europeus, responsáveis por políticas de imigração restritivas, assobiam para o lado e avançam, agora, com um policiamento das costas que, hipocritamente, teria como objetivo o resgate das vítimas de naufrágio!
Bem pode Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, chorar lágrimas de crocodilo perante os trezentos caixões anónimos de homens, mulheres e crianças e dizer-se muito chocado com o que presenciou. Bem pode o primeiro-ministro italiano decretar funerais de Estado para as vítimas do último naufrágio. Os habitantes de Lampedusa e os povos europeus não se deixam enganar!