Nas últimas semanas, ao mesmo tempo que se instalava definitivamente a crise política nos Açores, conhecemos indicadores verdadeiramente preocupantes na região.
Esses indicadores dão conta de um sério agravamento das condições de vida, contrariando a propaganda governamental. O governo regional de direita, ao invés de assumir as suas responsabilidades tenta descredibilizar os resultados, como o INE.
O recente inquérito às condições de vida do INE revela dados extremamente preocupantes. A taxa de risco de pobreza subiu nos últimos 2 anos, quando já partia de um patamar extremamente elevado.
A taxa de privação material severa, que retrata a percentagem da população com um conjunto alargado de dificuldades sociais e familiares, disparou nos Açores em contraciclo com o que acontece em todas as regiões do país, onde desce desde 2020.
As desigualdades entre os mais ricos e mais pobres, medida pelo indicador coeficiente de Gini (mede a desigualdade de rendimento), assim como o rácio entre os 20% que mais rendimento auferem e os 20% que menos rendimento auferem, aumentaram em flecha, atingindo níveis de 2019.
Tudo é mau. E não vale a pena ao governo regional de direita tentar colocar em causa os critérios ou a amostra do INE. Recordo-me bem o quanto valorizavam esses mesmos indicadores quando PSD, CDS e PPM eram oposição. Se os indicadores eram válidos até 2020, porque deixam agora de valer? Um pouco de honestidade intelectual seria bom.
Estes dados contrariam a narrativa enganadora do governo regional. E levantam sérias questões sobre o caminho para onde levam os Açores.
Quando a taxa de desemprego nos Açores é de cerca de 6% e numa altura em que não estamos em recessão económica (embora só em 2022 se tenha atingido o PIB real de 2019), o risco de pobreza aumenta e as desigualdades aumentam. Este é um sinal de uma economia desigual que gera e alimenta-se da pobreza. Uma economia que a direita fomentou e apoiou com as suas políticas. Temos uma pobre economia, uma economia que se alimenta do salário mínimo e da precariedade.
Foi a economia deixada pelos governos regionais do Partido Socialista e antes destes pelo PSD. Esta triste sina dos Açores tem responsáveis políticos.
Os números agora conhecidos levam-nos ainda a refletir sobre a adequação (ou falta dela) dos apoios sociais existentes. Bem podem baixar os números de beneficiários do RSI - a obsessão da direita - mas isso de pouco serve quando se vê, à vista desarmada, mais situações sociais graves nas nossas vilas, cidades e freguesias!
Há uma doentia e populista obsessão do governo regional da coligação de direita em fazer baixar o número de beneficiários a todo o custo, fruto do seu preconceito de classe.
Quando as estatísticas confirmam aquilo que qualquer pessoa que anda na rua já adivinhava: Há cada vez mais pessoas nos Açores a viver pior. Muito pior. Trabalhar nos Açores significa, para cada vez mais pessoas, viver mal.
Cada vez é mais claro que os apoios sociais existentes não chegam a todos os que precisam. Cada vez é mais claro que é preciso distribuir melhor a riqueza que é criada, e que não é pouca!
Cada vez é mais claro que é preciso mesmo mudar esta economia. Que é preciso justiça na economia! Que é preciso lutar por um outro futuro!