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Igualdade

Pela primeira vez o casamento homossexual foi aprovado por referendo. Aconteceu na Irlanda, no passado dia 22 de Maio. O sim obteve mais de 62% dos votos. Os irlandeses estão de parabéns. Em Portugal continuaremos a exigir o direito à adoção por casais homossexuais.

Pela primeira vez o casamento homossexual foi aprovado por referendo. Aconteceu na Irlanda, no passado dia 22 de Maio. O sim obteve mais de 62% dos votos. No mês anterior a adoção de crianças por casais homossexuais tinha sido igualmente aprovada. Prova inequívoca de que a sociedade está um passo à frente da Lei. Cai por terra o argumento recorrente de que “as sociedades não estão prontas para a mudança”.

Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Eslovénia, África do Sul, Espanha, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai. São já mais de vinte os países que reconhecem a todos e todas, de igual forma, o direito ao casamento. Em muitos mais a união de casais homossexuais é reconhecida e o processo para a legalização do casamento está em curso.

A adoção homoparental e sobretudo por casais homossexuais está a debate em inúmeros países e é já legal em treze países e variadas jurisdições de outros países.

As barreiras da intolerância e da homofobia começam a cair e a ideia de que o amor não escolhe géneros e de que a capacidade para educar não decorre da orientação sexual começa a fazer caminho.

Mas o caminho é longo e a luta pelo respeito e pela igualdade ainda vai no adro. São demasiados os países onde o preconceito decorrente do conservadorismo, da ignorância ou da religião se sobrepõem ao que deveria pertencer ao foro privado de cada um e cada uma. A discriminação, a pena de morte ou a prisão por homossexualidade são realidades atuais que desafiam toda e qualquer pretensão de dignidade humana. A convicção de que uns podem impor aos outros a sua forma de viver e de que podem ditar quem se pode amar ou com quem se pode partilhar a vida decorre, bem sabemos, de um conservadorismo bacoco que almeja unicamente o poder. E bem sabemos também que a melhor forma de controlar é dividir a humanidade em castas, em raças, em grupos e dar a uns mais do que aos outros.

Recusamos-nos a aceitar um mundo que não olhe para todos e todas com o mesmo respeito, que não conceda a todos e todas os mesmos direitos, que não reconheça a todos e todas a mesma dignidade.

Por isso e mesmo sabendo que os moinhos de vento a enfrentar são gigantescos não desistiremos de fazer as lutas necessárias por uma das mais básicas exigência da humanidade e da democracia: o direito à igualdade. No mundo e em Portugal.

Os irlandeses estão de parabéns. Em Portugal continuaremos a exigir o direito à adoção por casais homossexuais. Porque não é a orientação sexual que determina a capacidade parental e muito menos a capacidade de amar. E porque queremos que Portugal também esteja de parabéns.

Sobre o/a autor(a)

Deputada e dirigente do Bloco de Esquerda. Professora universitária. Socióloga.
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