Está aqui

Há 15 dias em greve

Os técnicos superiores das áreas de diagnóstico e terapêutica estão em greve há 15 dias. São 15 dias em greve por parte de quem é absolutamente essencial nas nossas instituições públicas de saúde.

Que seria destas instituições se não houvesse quem fizesse análises clínicas? Que seria dos utentes se não houvesse técnicos de radiologia, de radioterapia, terapeutas da fala, fisioterapeutas? Que seria da saúde pública se não houvesse técnicos de saúde ambiental? Isto para dar apenas alguns exemplos de tantos outros que se poderiam dar…

São 15 dias em greve por parte de quem luta por uma revisão da carreira há 18 anos e por quem pretende ver a sua profissão dignificada e valorizada.

Apesar da importância que têm para garantir a prestação de cuidados de saúde, estes profissionais continuam a ser pagos a 1.020€ brutos. Contas feitas com o IRS e com a a Segurança Social levam para casa bem menos de 900€ por mês. É pouco para quem tanto faz pela saúde, para quem tem tanta responsabilidade.

São 15 dias em greve para que o Governo concretize aquilo com que se comprometeu.

No dia 31 de agosto foi publicado o novo regime legal da carreira especial de técnico superior das áreas de diagnóstico e terapêutica. No entanto, as regras de transição para a nova carreira e a determinação das novas posições e níveis remuneratórios foram remetidas para a publicação de diplomas próprios, posteriores à entrada em vigor da nova carreira.

Resumindo e traduzindo: a anterior carreira foi extinta, a nova carreira foi publicada, mas ninguém pode transitar para ela. Os profissionais permanecem hoje numa espécie de território de ninguém e sem ganhos do ponto de vista profissional e remuneratório.

Esta situação é completamente insólita e a solução deve passar por este passo simples: definir e publicar até ao final do ano as regras de transição e as novas tabelas salariais, de forma a que tudo possa entrar em vigor no dia 1 de janeiro de 2018. Tem sido isso que temos defendido junto do Governo e é essa a legítima expectativa dos profissionais.

15 dias de greve é muito tempo, principalmente quando cada um destes dias é um dia mais a contar para a injustiça que se está a fazer a estes profissionais.

Artigos relacionados: 

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Psicólogo e mestrando em Psicologia da Formação Profissional e Aprendizagem ao Longo da Vida. Cabeça de lista do Bloco pelo círculo eleitoral de Aveiro
Comentários (12)