Greve Geral: porquê e para quê?!

porRoberto Almada

10 de dezembro 2025 - 11:14
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Quem trabalha sabe que nada do que temos foi oferecido. Direitos básicos como férias, horários decentes, proteção na doença, só existem porque houve gerações que lutaram. Agora, querem que aceitemos um regresso ao passado: empregos sem futuro, vidas sempre em pressão e salários cada vez mais apertados.

A greve geral da próxima quinta-feira acontece porque os trabalhadores estão perante uma ofensiva séria aos seus direitos. O governo quer mudar a lei laboral de forma a facilitar despedimentos, baixar indemnizações, aumentar contratos precários e voltar a permitir o banco de horas individual. Tudo isto empurra os salários para baixo e torna o trabalho mais instável.

Esta reforma não aparece por acaso. É uma escolha política que favorece quem quer mão de obra barata e disponível a qualquer hora. Ao enfraquecer a contratação coletiva e ao abrir ainda mais espaço ao outsourcing e ao trabalho temporário, o governo deixa cada trabalhador mais vulnerável e com menos poder para defender o seu salário e as suas condições. Mas quem trabalha sabe bem que nada do que temos foi oferecido. Direitos básicos como férias, horários decentes, descanso e proteção na doença, só existem porque houve gerações que lutaram. Agora, querem que aceitemos um regresso ao passado: empregos sem futuro, vidas sempre em pressão e salários cada vez mais apertados.

Não há progresso num país onde quem trabalha vive na corda bamba. Salários miseráveis, horários instáveis e contratos frágeis não criam Desenvolvimento. Criam desigualdade e desespero. A reforma laboral aponta exatamente nesse sentido. É uma forma de tornar mais baratos os despedimentos e de tratar o salário como um obstáculo, em vez de um direito. A greve geral surge, por isso, como um ato de defesa. É uma forma de dizer que basta de ataques aos direitos laborais e basta de medidas que empobrecem quem já vive com dificuldades. É exigir respeito por quem produz a riqueza do país e afirmar que o trabalho tem de permitir uma vida digna.

Fazer greve é proteger o presente e o futuro. É recusar um país onde o lucro vale sempre mais do que as pessoas. É lembrar que sem trabalhadores valorizados, ninguém avança. É, no fundo, lutar pelo que é justo.


Artigo publicado em dnoticias.pt a 8 de dezembro de 2025

Roberto Almada
Sobre o/a autor(a)

Roberto Almada

Técnico Superior de Educação Social. Ativista do Bloco de Esquerda.
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