A Greve Geral de 3 de Junho 2026 convocada pela CGTP é mais um passo no caminho que nos levará à derrota do Pacote laboral, que depois de ter andado longos meses a marinar em reuniões, de onde a GGTP foi excluída, numa espécie de concertação social, que mesmo com todas as pressões políticas de vários quadrantes, incluindo o Presidente da República, acabaram sem acordo das partes envolvidas no dia 7 de Maio.
Não houve acordo porque o conteúdo desta contra reforma nas leis laborais, não podia ter o aval de nenhuma de central sindical digna desse nome, mesmo com a reconhecida “matriz negocial” da UGT.
Sabemos que houve contatos entre as duas Centrais sindicais e vários sindicatos independentes, no sentido de se manter a unidade na ação como aconteceu na primeira Greve Geral de 11 de Dezembro. Não foi possível encontrar essa articulação para que no 1º de Maio o seu anúncio fosse um forte sinal de rejeição do movimento sindical e da classe trabalhadora aos propósitos do governo.
Todos sabíamos que o governo com ou sem acordo na concertação social levaria a sua proposta, que é a dos patrões, ao parlamento, a contar com o respaldo da IL e do CH. A radical ministra do trabalho anunciou-o desde sempre.
Mesmo com a atual correlação de forças no parlamento o governo não agendou a sua discussão de imediato, procurando ganhar tempo para negociar com a extrema-direita.
É um sinal de fragilidade, pois sabe que a sociedade rejeita claramente esta contra reforma que visa baixar salários e cortar rendimentos, impor o banco de horas individual, facilitar o outsourcing, destruir a contratação coletiva, retirar direitos às mulheres, aumentar a precariedade, fragilizar os sindicatos, atacar o direito à greve e como cereja no bolo, procura total liberdade para despedir sem justa causa em colisão com os direitos consagrados na Constituição da República.
O tempo para fazer a segunda greve geral é agora, é preciso dar um sinal de força e unidade da classe trabalhadora e não deixar criar ilusões em negociações nos gabinetes do parlamento, está na altura de voltar a sair às ruas. Não existe nenhuma extemporaneidade nesta Greve Geral, como alguns alegam, é preciso manter pressão sobre o governo e a extrema-direita e isso faz-se com luta nas empresas e nas ruas.
O Bloco de Esquerda está empenhado na construção de uma forte Greve Geral, sabendo que a luta contra o Pacote Laboral do governo não termina no dia 3 de Junho. Temos confiança na força da movimentação popular, mas sabemos que ainda temos pela frente uma luta dura e prolongada para derrotar de vez esta imposição do governo.
Vamos fazer este caminho com unidade nas bases e sem sectarismos, com todas e todos que se disponham a lutar pela dignidade de quem vive do seu trabalho.
Como cantava José Afonso “ viva a malta e trema a terra, aqui ninguém arredou” é este espirito da união e firmeza que deve estar presente na grande massa que vai fazer a Greve Geral porque com coragem coletiva resistimos e avançamos.
Viva a Greve Geral!