Na certeza de que a proposta governamental relativa às questões laborais não sofrerá alterações, seja porque o governo está a jogar no duro seja porque quaisquer negociações no âmbito da concertação laboral não resolverão nada, as centrais sindicais mantêm a convocação da Greve Geral para 11 de Dezembro p.f. A CGTP já entregou o aviso de greve, a UGT já esteve com o governo, veremos se mantém a convocação. Insh’ala! A surpresa será se mantiver a convocação, seria uma novidade, talvez até uma mudança de paradigma, mas é esperar muito. A Greve Geral diz directamente respeito a quem trabalha porque as mexidas na legislação laboral são por demais gravosas e atentatórias dos direitos conquistados depois de Abril. De certa maneira, fazem parte do mesmo pacote de branqueamento em que o governo se tem empenhado e cujo clímax se atinge com as celebrações do 25 de Novembro: uma comissão presidida por um militar que desconhecemos, integrada por figuras que não colam com Abril, até mesmo com parada militar. Pífia com certeza, ridícula inevitavelmente.
A legislação laboral tem de ser justa e tem de considerar o estado de direito e a defesa dos mais fracos. Estes não estão do lado do capital, toda a gente percebe menos o Governo. Os trabalhadores serão os primeiros atingidos, mas as suas famílias, ascendentes e descendentes, com certeza também. A Greve Geral também diz respeito a estas faixas da população; o trabalho tem de estar salvaguardado, é a única maneira de proteger as famílias, aqueles que já trabalharam mas cuja tranquilidade e bem-estar passa sem dúvida pelo bem-estar e segurança dos seus filhos, netos, parentes. Se o dinheiro faltar a quem está no activo, quem é que se perfila para dar um passo em frente?! Dar um passo em frente e colmatar eventuais falhas com reformas miseráveis? Que raio de estado de direito é este? Direito a viver sempre apertado, isso sim.
Os reformados e aposentados deveriam manifestar-se de alguma forma no dia 11 de Dezembro, associando-se e apoiando quem toma a dificílima decisão de perder o salário pelo tempo que a greve durar. No passado de luta anti-fascista casos houve em que as populações se solidarizaram com quem fazia greve, qual é a diferença agora?! As associações que representam reformados e pensionistas deveriam organizar-se no sentido de mostrar ao Governo como este pacote laboral representa a instalação do desassossego, da insegurança, da intranquilidade. Tudo ao contrário do que deveria ser dado como adquirido e como Abril prometeu. Os grupos sociais, os grupos etários, não são estanques, medidas contra uma parte da sociedade inevitavelmente afectam todos. Todos, sim, os mais novos também deveriam ser chamados à linha da frente. Se o pão faltar em casa, onde está o dinheiro para pagar os estudos dos jovens? O pacote laboral conforme preconizado não atinge apenas os trabalhadores; vai ao coração da sociedade, destrói o que conseguimos com Abril e atira-nos para a mais completa incerteza e fragilidade. As associações representativas de reformados e de estudantes não se podem eximir a assumir a sua participação nesta luta.