Governa que eu deixo

porDiogo Teixeira

31 de outubro 2024 - 22:03
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É exatamente por isto que fazem falta deputados do Bloco, para apresentar soluções para a crise da habitação, para o custo de vida elevado, para promover uma sociedade mais justa. É este Bloco que sem receio de eleições, seria capaz de propor uma moção de censura a este governo irresponsável.

Na Madeira, atualmente, temos um governo minoritário marcado por suspeitas e sustentado por uma oposição fraca. Recentemente, tivemos eleições antecipadas na região devido a investigações envolvendo o Presidente do Governo Regional e outras figuras de destaque na política madeirense em esquemas de corrupção. Após a queda do governo, o PSD, liderado por Miguel Albuquerque, foi reeleito, formando um governo minoritário com o apoio do Chega, Iniciativa Liberal, PAN e CDS.

Contudo, rapidamente a Madeira foi novamente abalada por uma "réplica" do sismo político que causou a primeira queda do governo. Novas investigações resultaram em detenções, com grande parte dos secretários regionais — equivalentes a ministros na República — sob investigação pelo Ministério Público por possíveis crimes de corrupção, financiamento ilícito e outros.

Apesar das suspeitas e investigações em curso, o governo segue sustentado por uma oposição vista por muitos como débil e submissa, apelidada por Roberto Almada de "oposição frouxa" e por mim apelidada de " Inútil e reles". Já o Chega, que antes das eleições era o rei da luta contra a corrupção e prometia retirar o seu apoio caso surgissem mais casos de corrupção, está agora, segundo o presidente do Chega Madeira, apenas à espera que o governo escorregue mas afinal acabou por manter o apoio e evitar medidas que poderiam desestabilizar o executivo e levar a novas eleições. Para agravar a situação, uma notícia revelou que André Ventura, líder do Chega, desejava que os deputados do seu partido na Madeira apresentassem uma moção de censura, potencialmente levando à queda do governo madeirense. No entanto, os deputados do Chega na Madeira recusaram, contrariando a vontade de Ventura, possivelmente por recearem perder os seus lugares na Assembleia Legislativa.

Do lado da oposição, o PS e o JPP têm mostrado uma atuação dececionante ao serem incapazes de apresentar propostas que realmente vão de encontro às necessidades da Madeira e colocando os seus assentos parlamentares em primeiro lugar visto que mesmo com as recentes revelações que colocam grande parte do executivo sob o escrutínio do Ministério Público, estes partidos têm-se revelado incapazes de apresentar uma moção de censura e, em vez de exercerem pressão efetiva, parecem mais focados em manter os seus próprios lugares, em vez de desafiar um governo fragilizado.

Obviamente, esta conjuntura e esta falta de uma oposição forte e digna tem consequências diretas para a Madeira. Exemplo disso é um recente plenário sobre a crise habitacional, onde ficou claro que, tanto da parte do governo e dos seus aliados como da parte da oposição, não surgem propostas efetivas para combater a crise da habitação. Este é mais um reflexo da fraqueza de uma oposição incapaz e de um governo ineficaz, sem respostas para um dos problemas mais urgentes da região.

Mas agora parece ser prática comum o PS permitir governos desastrosos em Portugal e a Madeira não seria a exceção à regra. Uma espécie de "Governa, que eu deixo " ou "quanto mais bates na democracia mais eu gosto de ti " Sejamos claros: é precisamente por estas razões que o Bloco de Esquerda faz falta na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.

É exatamente por isto que fazem falta deputados do Bloco, para apresentar soluções para a crise da habitação, para o custo de vida elevado, para promover uma sociedade mais justa. É este Bloco que sem receio de eleições, seria capaz de propor uma moção de censura a este governo irresponsável que não representa os madeirenses nem luta pelos seus interesses, mas pelos interesses dos grandes grupos económicos.

Diogo Teixeira
Sobre o/a autor(a)

Diogo Teixeira

Licenciado em línguas e relações empresariais. Membro da CNJ, da comissão coordenadora e dos jovens do Bloco Madeira. Atualmente, trabalha como especialista em marketing e publicidade (estagiário). Mestrando em gestão pela Universidade da Madeira
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