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Garraiada Académica - nem tradição nem educação

A Associação de Estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar opõe-se à realização, a 11 de maio, da Garraiada Académica, financiada pela FAP. Em causa está o respeito pelos direitos dos animais e a coerência com a cultura e valores da sua escola superior.

Segundo uma peça do JPN (Jornalismo Porto Net) de 14 de março, a Associação de Estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, onde se ensina Medicina Veterinária, tomou a iniciativa de propor na Assembleia da Federação Académica do Porto, FAP, que não se fizesse em 2014 a garraiada prevista para 11 de maio, associada à Queima das Fitas. No vídeo incluído nesse artigo, o presidente da associação diz que esta se opõe por respeito pelos direitos dos animais e por coerência com a cultura e valores da sua escola superior.

A chamada Garraiada Académica, que é financiada pela FAP, tem lugar na arena da Póvoa de Varzim e tem vindo a ser contestada em anos recentes por estudantes e por associações de defesa dos direitos dos animais.

Ao lado da AE do ICBAS votaram as Associações de Estudantes da Faculdade de Ciências, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e da Faculdade de Direito. A AE da Faculdade de Letras tinha tomado posição contra já em 2011. Na assembleia da FAP houve quatro votos a favor, nove contra e nove abstenções. Outras associações que não participaram da assembleia manifestaram-se depois contra, tendo feito chegar mensagens de apoio às associações opositoras, como foi o caso da AE de Belas Artes.

Ainda segundo o JPN, há dirigentes estudantis que esperam que 2014 seja o ano derradeiro das garraiadas académicas associadas à Universidade do Porto e que não aceitam que se esteja perante qualquer tradição.

Um dos argumentos a favor da garraiada é o de que não há lugar a maus tratos por não haver uso de ferros ou espadas. Quem se lhe opõe argumenta que são utilizados animais até aos três anos (garraios), com cornos serrados previamente em processos dolorosos, transportados em más condições, retirados para a arena com aguilhões e pauladas, para depois serem perseguidos e violentados por grupos de estudantes que imitam uma pega tauromáquica. Quem se opõe argumenta ainda que se registam entre estes animais danos físicos profundos e mesmo mortes decorrentes do seu uso para estes espetáculos. Tudo isto se passa dentro duma competição e despique entre alguns alunos de diferentes escolas superiores, como aliás as restantes atividades praxísticas.

No espetáculo ferem-me os lampejos de um anacrónico machismo toureador.

Mas antes do mais estamos perante práticas de violência gratuita sobre animais, ainda por cima tornadas espetáculo. E essas não se podem tolerar.

Sobre o/a autor(a)

Investigadora em sociologia da cultura
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