Alguém disse que pessimista só é quem tem consciência aguda do que está mal, do que não consegue suportar. E também disse que, por isso, ser pessimista pode ser o primeiro passo para agir e exigir mudança.
No país não falta pessimismo. O que faz falta é animar a malta.
Gerações houve que sonharam Abril. Gerações vieram que das tripas do fascismo fizeram Abril. Gerações há para as quais Abril ainda está por cumprir.
Queremos viver bem. Não viver com mais num país transformado em Centro Comercial de “classe média”, com os (muitos) pobres à porta a verem montras e os (poucos) muito ricos a venderem a crédito vida melhor, a encaixar lucro duma situação que dá voltas e não sai do sítio. Como na porta giratória da entrada, só vamos a algum lado se saltarmos fora. Para fora desse país sem futuro, porque sociedade de consumo é só presente e o futuro perde chão na destruição de recursos naturais.
Queremos emprego, queremos saúde assistida, queremos ensino para todos e todas, queremos justiça, queremos mais igualdade. Isso é Abril. Queremos um país para os mais novos, em que futuro seja palavra solidária a dar mãos entre gerações.
Só é Utopia o que pode deixar de o ser!
Abril foi a Utopia que começámos a fazer. Se isto é Utopia então vamos fazê-la.
Precisamos dum Presidente ao nosso lado nestas lutas, que faça cumprir os princípios da Constituição que Abril passou em testemunho. Com coração e com coragem.
Coração e coragem são palavras filhas duma só mãe. Das tripas do nosso pessimismo é preciso agora fazer coração. Domingo vamos pôr os cravos vermelhos ao coração e, com a mão, votar Alegre.