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Faltam trabalhadores? Melhores salários!

Nos Açores, o PSD através do seu líder parlamentar, Pedro Nascimento Cabral, faz coro com os empresários, propondo a criação de programas de inserção profissional dos trabalhadores no mercado de trabalho. Ou seja, programas ocupacionais dirigidos para as empresas.

Os meses de verão foram de retoma da atividade económica nos setores mais afetados pelas medidas restritivas de combate à pandemia. A retoma foi, no entanto, acompanhada de uma chuva de queixas relativas à dificuldade em contratar trabalhadores por parte de empresários de alguns setores económicos, nomeadamente restauração, alojamento e construção civil.

Em primeiro lugar há que dizer que o problema não tem o mesmo grau em todas as ilhas. Há de facto ilhas onde a quebra demográfica é muito grande, onde se sente mais a saída dos jovens da ilha e por isso qualquer aumento da necessidade de mão de obra se revela difícil de colmatar.

No entanto, a “escassez de mão de obra” deveria ter um lado positivo, neste caso para os trabalhadores: a exigência de melhores salários e condições de trabalho ganha mais força, equilibrando um pouco a desequilibradíssima relação entre trabalhadores e empregadores. 

Seria de esperar que os empregadores estivessem preparados para oferecer melhores condições de trabalho, formação e principalmente aumentos salariais. Pelo contrário, o que ouvimos ao longo do verão foi um coro a clamar pela redução de apoios sociais e pelo que chamam de “libertação de mão de obra dos programas ocupacionais”.

A fazer eco das exigências dos representantes dos empresários, o PSD através do seu líder parlamentar, Pedro Nascimento Cabral, faz coro com os empresários, propondo a criação de programas de inserção profissional dos trabalhadores no mercado de trabalho. Ou seja, programas ocupacionais dirigidos para as empresas.

é isto que o PSD defende: trabalhadores sem direitos à borla para as empresas. Os contribuintes pagam e os empresários lucram. Um paraíso neoliberal e um pesadelo para os trabalhadores!

Até aqui os programas ocupacionais apenas existiram no setor público e em instituições de solidariedade social. Ou seja, sempre se rejeitou que estes fossem utilizados em empresas porque isso seria colocar o estado a pagar salários das empresas. Mas é isto que o PSD defende: trabalhadores sem direitos à borla para as empresas. Os contribuintes pagam e os empresários lucram. Um paraíso neoliberal e um pesadelo para os trabalhadores!

É uma proposta inaceitável porque levará o abuso que já existe nos programas ocupacionais do setor público para as empresas. Tornará ainda as empresas dos Açores verdadeiros sumidouros de subsídios públicos todos à espera dos trabalhadores grátis que o governo garantirá. Esta maioria só tem problemas com os subsídios para as pessoas, para o patronato quantos mais melhor!

Precisamos de uma resposta diferente. Precisamos melhorar as condições de trabalho e de vida. Só assim as pessoas permanecem nos Açores e estarão disponíveis para desempenhar tarefas penosas, empregos com horários desregulados e trabalho por turnos. A penosidade do trabalho tem de ser compensada com melhores salários!

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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