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Erguer a bandeira da democracia, sempre!

Continuar a erguer a bandeira da democracia e recusar os ditames que nos conduziram ao pântano da tristeza, é preciso!

Há quarenta e um anos, pelas mãos dos capitães de abril e do povo que desceu à rua, abriram-se perspetivas de democracia económica e social, de participação cidadã e de desenvolvimento do país.

A primavera portuguesa trouxe a poesia para a rua, devolveu a esperança, abriu lugar ao sonho e emprestou luz aos rostos. O longo inverno de quase cinquenta anos havia chegado ao fim. Continuar a erguer a bandeira da democracia e recusar os ditames que nos conduziram ao pântano da tristeza, é preciso!

Bem sabemos que quem nos meteu na crise não nos fará sair dela, mas também sabemos que agora, como em 25 de abril de 1974, está nas nossas mãos não desistir e abrir caminho às necessárias ruturas políticas

A Revolução impôs a dissolução da polícia política e acabou com a censura, libertou a energia de um povo que se auto organizou para intervir nas ruas, praças e lugares do país; deu lugar a ganhos salariais significativos, instituiu o Serviço Nacional de Saúde geral, universal e gratuito, levou a Escola Pública e serviços essenciais, como o da produção e distribuição de energia elétrica, a todos os cantos do continente e das regiões autónomas.

Hoje, PSD/CDS tentam acabar de vez com este ideário. A cada dia que passa, o país está mais desesperançado e aumenta a gigantesca dívida com os espoliados: os desempregados; os trabalhadores sem salário certo, sem direitos e sem futuro; os reformados e os pensionistas; os pequenos e micro empresários.

A direita no poder desdobra-se em ondas privatizadoras que servem para engordar banqueiros e gestores, alimentar offshores obscuros e oferecer prémios chorudos aos rapazes do costume, à custa das pessoas e do interesse público. São estes os ventos dominantes no país e na Europa dos mercados.

Outros dias virão! Engrossa-se a torrente que reclama uma mudança de rumo no país e na Europa. Vão-se desenhando alternativas a políticas que nos conduziram a uma enorme crise económica, social e política e a profundas assimetrias regionais.

A democracia, à escala europeia, quer dizer uma refundação em que sejam os povos quem mais ordena e não os interesses dos mercados. Nos diplomas fundacionais da nova Europa deverão ser incorporados os direitos sociais, consagrados numa Constituição democraticamente discutida e aprovada.

Os caminhos para ultrapassar a atual crise económica e financeira, entrosam-se, necessariamente, com a defesa das conquistas de Abril, do Estado Social e da democracia e com a construção de uma alternativa, a nível do país e do espaço europeu.

Bem sabemos que quem nos meteu na crise não nos fará sair dela, mas também sabemos que agora, como em 25 de abril de 1974, está nas nossas mãos não desistir e abrir caminho às necessárias ruturas políticas.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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