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A EDP seja louvada para todo o sempre

Os ministros chegam e vão, mas a EDP fica, e foi sempre assim ao longo das últimas décadas. Foi assim quando um governante foi afastado há poucos anos por pressão direta da empresa.

Já se perde a conta às vezes em que a EDP, ou alguém por ela, vai impondo a sua lei perante a lei do país. Nenhuma novidade, portanto. Os ministros chegam e vão, mas a EDP fica, e foi sempre assim ao longo das últimas décadas. Foi assim quando um governante foi afastado há poucos anos por pressão direta da empresa. Foi de novo assim quando o Parlamento determinou uma taxa sobre as rendas energéticas, que foi logo depois anulada por uma reviravolta de um dos partidos que a tinha aprovado, o PS. A EDP tinha protestado. Voltou a ser assim quando o Parlamento aprovou as conclusões de uma comissão de inquérito que registava rendas excessivas no valor de €700 milhões a €1000 milhões a partir de 2021, mas se recusou a propor a renegociação do contrato ou o fim desta regalia. O que a EDP quer, fica na EDP. E é de novo o que é demonstrado quando a EDP vende seis barragens por €2200 milhões e se escusa ao pagamento devido do imposto do selo, uns módicos 5% desse valor, suscitando atrapalhadas justificações do Governo e, como seria de esperar, o retumbante pedido de um parecer sobre o assunto. O respeitinho é mesmo muito bonito, a EDP é protegida pela embaixada de um país poderoso e as suas cumplicidades políticas são tentaculares. É assim que se fazem bons negócios.

Artigo publicado no jornal “Expresso” a 31 de dezembro de 2020

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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