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Ecovia do Tejo: um caminho de esperança

A ONU instituiu o dia 3 de junho como Dia Mundial da Bicicleta. Foi este o dia escolhido pelo Bloco de Esquerda para divulgar a proposta legislativa que defende a criação da Grande Ecovia do Tejo: um percurso ciclável e pedestre, de Espanha a Lisboa, junto ao rio Tejo.

Quando cheguei a Santarém, há quase 25 anos, procurei um sítio para fazer um picnic junto ao Tejo. Pegámos no cesto e fomos à procura de um local agradável onde estender a manta e desfrutar de um dos mais valiosos e belos recursos naturais da região a que chamamos RibaTejo.

Procurámos em vários locais, perguntámos a algumas pessoas, procurámos sugestões na net… aqui nada! Voltámos para casa, sem poder provar o pão, o queijo e o vinho.

Infelizmente a situação não se alterou. Passaram muitos anos e continuamos sem acesso ao Rio Tejo em condições, sem espaços de picnic, de passeio e lazer, mas também de desporto, de cultura e etnografia, de turismo, de educação ambiental e ciência. Temos tanto por onde, mas fez-se tão pouco. Quase nada.

Toda a zona ribeirinha, da Ribeira a Alfange ou às Caneiras são disso exemplos, que nos envergonham. Quem desde sempre governa Santarém tem desperdiçado, não só o Rio, mas também pessoas, a sua localização privilegiada, o seu património histórico.

Santarém tem ficado para trás. Está a perder o comboio do desenvolvimento e do futuro.

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 3 de junho como Dia Mundial da Bicicleta. Foi este o dia escolhido pelo Bloco de Esquerda para divulgar a proposta legislativa, apresentada na Assembleia da República, que defende a criação da Grande Ecovia do Tejo: um percurso ciclável e pedestre, de Espanha a Lisboa, junto ao rio Tejo.

O Largo da Fonte de Palhais e ponte romana de Alcource, na Ribeira de Santarém, foi a zona escolhida para a divulgação da proposta que recomenda ao Governo que realize campanhas para a promoção dos modos ativos de transporte e que apoie os municípios abrangidos pelo rio Tejo: na criação de um percurso, interligando as vias cicláveis e trilhos pedestres existentes, contribuindo assim para a reabilitação e dinamização das zonas junto ao rio; na ligação da Ecovia do Tejo aos aglomerados urbanos próximos do rio, resolvendo o velho problema da ligação da zona ribeirinha à cidade de Santarém; na ligação da Ecovia do Tejo à Rede Europeia de Ciclovias – a EuroVelo; contribuindo para o desenvolvimento económico sustentável, de Lisboa a Castelo Branco; na sensibilização, para evitar conflitos com a sinalização e percursos dos Caminhos de Santiago e de Fátima; rentabilizando recursos já existentes e potenciando parcerias.

Este projeto, de baixo impacto ambiental, permite aproximar as populações dos rios, o que ajudará a criar uma pressão de opinião pública anti-poluição que atue de forma decisiva, condicionando poluidores – ninguém gosta de visitar rios poluídos, com cheiros desagradáveis e peixes mortos.

Entregámos uma proposta que promove o conhecimento da cultura e património locais, potencia o desenvolvimento ambiental, desportivo e científico, ao mesmo tempo que beneficia a natureza, as pessoas e as economias locais.

Será que passa?! Ou acontecerá como a nossa proposta de incluir no Orçamento de Estado de 2020 uma nova Ponte na Chamusca??! Essa proposta, que hoje é defendida aguerridamente, foi chumbada com a abstenção do PSD e CDS e os votos contra do PS, Chega e Iniciativa Liberal.

Artigo publicado em “Correio do Ribatejo” a 17 de junho de 2021

Sobre o/a autor(a)

Professora. Ativista social. Deputada do Bloco de Esquerda
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