Uma vez mais, o mundo assiste ao ressurgir de um conflito no Médio Oriente. Ao longo das últimas semanas, vimos o escalar da guerra entre Irão e Israel, num ataque que teve a chancela dos Estados Unidos da América (EUA). Ao mesmo tempo, a Palestina e o seu povo continuam a viver o genocídio às mãos de Israel. Pelo meio, afastamo-nos, cada vez mais, da nossa Humanidade.
A realidade que hoje se vive em Gaza é absolutamente devastadora. Sob pretexto de defender o seu país do Hamas, o Exército israelita invadiu a faixa de Gaza, destruindo tudo e procurando proceder à limpeza étnica do povo palestiniano. O que Israel está a fazer é continuar o genocídio iniciado há mais de 75 anos.
O ataque de Israel já matou dezenas de milhares de pessoas, especialmente crianças e mulheres. Gaza está completamente arrasada, levando a que os civis estejam a ser empurrados para pequenas áreas, sem condições de higiene e em que doenças são disseminadas (não havendo o acesso a produtos de saúde). Os alimentos e água potável escasseiam e a fome é utilizada como arma contra inocentes, que morrem por isso, ou são mortos por Israel quando, desesperados, tentam obter produtos alimentares. Praticamente todas as infraestruturas estão destruídas, desde hospitais a escolas. Jornalistas que contam as atrocidades cometidas pelo Exército israelita estão a ser assassinados. Diariamente, cerca de cem palestinianos são mortos por Israel. A morte e a destruição imperam em Gaza, enquanto o mundo observa.
Não é apenas Israel e o seu Governo de extrema-direita que têm as mãos manchadas de sangue. Os EUA e outros aliados europeus estão a participar ativamente na destruição do Estado e do povo palestiniano, mas também se verificam silêncios ensurdecedores, como é o caso do Governo português.
Além disso, seguindo o ímpeto expansionista, Israel atacou o Irão. Por limitação de espaço, não poderei abordar diversos aspetos. Existem várias razões para este ataque de Israel, que vão desde desviar a atenção do genocídio contra o povo palestiniano, pelo qual é responsável, até a uma certa megalomania e a um sentimento de impunidade. No que foi uma situação extremamente tensa e que pareceu indiciar uma nova intervenção dos EUA no Médio Oriente (como foi o caso do Iraque), ambos os lados reclamaram vitória, com uma declaração de tréguas inusitada.
Denote-se que a decisão de os EUA (Israel mandou, Trump obedeceu) se juntarem ao ataque contra o Irão foi um ato de guerra e violou a Carta das Nações Unidas e o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Pelo meio, vimos o que será o futuro marcado pelo digladiar de egos e de autoritarismos, bem como por disputas geopolíticas que, ao invés de serem resolvidas através de esforços diplomáticos, levam ao acelerar da corrida às armas e ao agravar de conflitos.
O escalar da guerra, com destaque para o chamamento da NATO, levará o mundo por caminhos cada vez mais perigosos, numa espiral que rapidamente se pode descontrolar. Precisamos de paz - no mundo e na Palestina, com o fim do genocídio. Para isso, deixo um apelo: falemos.
Continuemos a chamar a atenção para o que se passa na Palestina e juntemo-nos aos milhões que, por todo o mundo, exigem paz. Continuemos a falar do que se passa em Gaza e do sofrimento do povo palestiniano. Falemos sobre o que Israel, os EUA e a União Europeia estão a fazer e os crimes que cometem. Continuemos a falar, porque só assim conseguimos ver a nossa própria Humanidade.
Artigo publicado no jornal Barcelos Popular a 3 de julho de 2025.