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É tempo de vir para a rua marchar!

As Marchas LGBTI+ são um momento de celebração da forma como se ama e como se é, mas também um momento de luta pela igualdade e inclusão, em combate à intolerância e à discriminação.

Estamos em finais de junho e, um pouco por todo o país, as Marchas LGBTI+ saem à rua. As Marchas são um momento de celebração da forma como se ama e como se é, mas também um momento de luta pela igualdade e inclusão, em combate à intolerância e à discriminação.

Em Barcelos, a 3ª Marcha do Orgulho LGBT+ realiza-se no dia 9 de julho. Nesse dia, erguem-se as bandeiras do orgulho contra o ódio, e as ruas da cidade voltam a preencher-se com gritos de reivindicação por direitos e liberdades.

E porquê marchar? Ao longo dos anos, foram sendo conquistados mais direitos e mais liberdades foram asseguradas. Desde o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção por casais homossexuais, o reconhecimento do direito à autodeterminação de género, o fim da discriminação na doação de sangue, entre outras. Graças à força da comunidade LGBTI+, foram possíveis grandes avanços na lei, alcançando maiorias sociais para a mudança. Mas não basta.

A luta da comunidade LGBTI+ ainda não acabou. A igualdade na lei não corresponde à igualdade na sociedade e na vida – veja-se alguns dados disponíveis, nomeadamente do Inquérito LGBTI+ da Agência para os Direitos Fundamentais da U.E. (2020), e do Relatório Anual Discriminação contra pessoas LGBTI+, da ILGA (2019). No nosso país, 40% das pessoas LGBTI+ já se sentiram discriminadas em pelo menos um contexto do seu dia-a-dia. 20% já se sentiram discriminadas no local de trabalho. E 30% das pessoas LGBTI+ já foi vítima de algum tipo de abuso. De entre os autores da discriminação, 40% eram desconhecidos para a vítima, 16% eram familiares próximos e 13% eram pessoas em contexto escolar.

As discriminações, não apenas insultos e agressões, são também sentidas em áreas estruturais. É necessário criminalizar as práticas de conversão sexual, proteger as crianças e os jovens LGBTI+ nas escolas e criar uma estratégia de saúde pública nacional adequada às pessoas LGBTI+, entre tantas outras reivindicações. Há muito a fazer e a ser feito. Tudo o que falta é sinónimo de entraves a viver plenamente, em igualdade e em segurança. A luta da comunidade LGBTI+ é um caminho que é feito todos os dias, lado a lado e sem largar a mão de ninguém.

Em Barcelos, esta luta tem voz na Marcha do Orgulho LGBT+. Um momento importante de reivindicação de direitos e políticas, de defesa de mudanças na sociedade que façam frente ao conservadorismo, à desigualdade, à discriminação e ao preconceito. Mas é também na Marcha do Orgulho que jovens LGBTI+ de Barcelos se podem sentir representados, sabendo que não estão sozinhos.

Só seremos verdadeiramente livres quando todas as pessoas o forem. É tempo de lutar, é tempo de marchar. É tempo de ir para a rua, com orgulho, pela igualdade. Até dia 9.

Sobre o/a autor(a)

Estudante de Sociologia na Universidade do Minho e deputado municipal do Bloco de Esquerda em Barcelos
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