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E agora?

Então e agora? O que muda na vida concreta dos homossexuais deste país?

Portugal é o país onde há poucos anos um "gangue" de anormais perseguia e maltratava homossexuais em Viseu, simplesmente porque eram homossexuais. Portugal é o país onde um bando de miúdos institucionalizados, há 4 anos, maltratou e matou uma transsexual imigrante no Porto, porque era transsexual. Portugal é o país onde os homossexuais não podem doar sangue, simplesmente porque são homossexuais. Portugal é o país onde um conselho directivo de uma escola proíbe duas adolescentes de se beijarem no intervalo das aulas, porque são homossexuais. Portugal é o país onde um director de um Instituto Público quer prender homossexuais, porque acha que são todos seropositivos.

O país evoluiu com a nova lei. Mas é o mesmo país onde todas estas situações de homofobia extrema se expressam. A lei tem o seu simbolismo, mas a homofobia continua enraizada na sociedade. Homossexuais continuam a ser discriminados, a enfrentarem dificuldades na escola, no trabalho, na família - casados ou não! A estrutura da sociedade não mudou e a homofobia não desapareceu.

É por isso que a batalha contra o preconceito não acaba - ela continua, quase igual ao dia anterior à aprovação da lei. Agora temos de olhar para as nossas escolas e perceber que educação sexual inclusiva queremos. Olhar para os Institutos públicos e correr com os seus responsáveis homofóbicos. Acabar com a discriminação na doação de sangue. Criar uma lei da identidade de género. Possibilitar aos casais de lésbicas que se inseminem artificialmente. E sobretudo discutir de forma séria e com coragem o assunto da parentalidade.

Há uma agenda urgente no combate ao preconceito, na conquista de direitos que não desapareceu, pelo contrário, agora ganham uma nova visibilidade, porque agora não existe nenhuma desculpa para ela não ser prioritária. 

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