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A cultura é de toda a gente. A manifestação também

Dia 6 de abril, esta sexta-feira, pelas 18h, é hora de sair à rua em manifestação por mais financiamento às artes.

As manifestações (ver evento no facebook), que acontecerão em várias cidades, foram convocadas por um movimento de gente que trabalha com as mais variadas disciplinas artísticas, que se uniu em solidariedade num gesto de extensão e convergência sem precedentes.

Mas esta não é uma manifestação só de profissionais das artes.

O financiamento público às artes, através de entidades independentes de criação e difusão artística, é um instrumento fundamental para assegurar o direito constitucional de acesso à cultura e é decisivo para construir uma vida cultural ativa para toda a população.

Sem financiamento público, as possibilidades de criação e de acesso restringem-se. Restringem-se ao mercado. Restringem-se às desigualdades: cria quem pode, acede quem pode.

Se consideramos que é importante que toda a gente - repito: toda a gente - tenha acesso à arte e à cultura, que possa valer-se do que se cria e que possa criar, temos de estar disponíveis para gastar dinheiro com isso. 

Só assim se garante diversidade e abrangência, estética e territorial. Só assim se garante que sejam produzidas as obras de arte que falam de nós, que falam para nós. As obras que nos marcam, com as quais aprendemos, com as quais nos construímos. Qualificação e emancipação. Só assim se pode disputar o campo cultural, recriar os nossos símbolos, construir linguagens, colocar novas questões, desenhar outros caminhos.

Mas o que temos tido até agora é um financiamento público que nunca passou de migalhas.

(Mesmo apesar dos mais diversos discursos de governantes parecerem subscrever estas ideias e apesar da importância das artes e da cultura para o desenvolvimento surgir como consensual. “Palavras sem obra, são tiro sem bala”)

Ora migalhas não são alimento.

De migalhas resultam fogachos, não política cultural.

Por isso esta política sempre foi errática – como agora tão nitidamente vemos com as mais recentes decisões ministeriais. No caso das infraestruturas, por exemplo, vê-se bem como a recuperação de um monumento ou a construção de uma biblioteca nunca faz parte das práticas continuadas ou planeadas, mas é sempre motivo de mobilização excecional.

Dá migalhas à cultura quem tem medo de que o cumprimento do direito do acesso à criação e produção artística seja um foco de verdadeira emancipação democrática.

Ora nós precisamos disto como pão para boca.

Por isso, saímos à rua!

Porque a Cultura tem de caber no orçamento. Porque não queremos migalhas.

Porque é hora de conquistar os nossos direitos. Porque somos todxs artistas!

Sobre o/a autor(a)

Economista e técnica de cena
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