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Construir o caminho à esquerda

O rumo estratégico de mudança passa pelo combate contra todas as desigualdades e a luta contra a pobreza, por uma educação que promova a igualdade e por serviços públicos e estratégicos que respondam às necessidades das pessoas.

Realizou-se no passado sábado, 5 de junho de 2021, a VII Convenção do Bloco de Esquerda/Açores. Após um adiamento de quase um ano devido à pandemia, era imperativo reunir o órgão máximo do partido para avaliar o passado e preparar o futuro mais próximo.

A democracia interna dos partidos políticos é muito importante e no Bloco de Esquerda ela é levada a sério. Não nos esquecemos dela nem a colocamos na gaveta como acontece com quem até tem responsabilidades governativas na região atualmente.

Nesta convenção regional definimos um caminho, não em função de qualquer outro partido ou do seu programa, seja do governo ou da oposição, mas com vista à construção de alternativa política de esquerda nos Açores.

A direita, aliada à extrema-direita, tem como programa político essencialmente manter-se no poder até às próximas eleições regionais.

Não se vê qualquer intenção de mudança de fundo nas opções económicas para os Açores. O setor primário, o turismo e a construção civil continuam a ser os pilares de desenvolvimento que defendem. Sendo absolutamente necessário desenvolver esses setores, o que é certo é que as profundas desigualdades que subsistem nos Açores só serão atenuadas pelo reforço dos direitos do trabalho mas também com a aposta no desenvolvimento de novos setores económicos que tenham na inovação científica e tecnológica o seu motor.

Não obstante a aposta noutras áreas, nomeadamente no que respeita às tecnologias da informação, é no mar e na nossa posição geográfica singular que estão as grandes oportunidades de desenvolvimento de uma economia sustentável do conhecimento.

O Bloco de Esquerda nos Açores assume-se como força política não sectária, e com uma postura clara e frontal no combate às desigualdades, no combate a qualquer tipo de discriminação social ou cultural, e que defende um projeto de diversificação da nossa economia para novos patamares de especialização.

Uma economia que enquadre e acolha todos os açorianos e açorianas sem os condenar à emigração, como acontece até com os mais qualificados. É esta postura que tem feito do Bloco de Esquerda uma força política diferente no quadro regional.

O Bloco é uma força política que não cala o compadrio, nem as desigualdades e os atropelos à democracia e à decência. Mas também é uma força de futuro que apresenta propostas novas para a economia e novas soluções para os serviços públicos.

O rumo estratégico de mudança, da mudança que o Bloco defende, passa pelo combate contra todas as desigualdades e a luta contra a pobreza, por uma educação que promova a igualdade e por serviços públicos e estratégicos que respondam às necessidades das pessoas.

Passa por políticas de proteção ambiental e bem-estar animal e por um desenvolvimento económico cada vez mais assente na ciência e na tecnologia. O Bloco estará sempre na linha da frente pela defesa da igualdade de género em todas as suas vertentes, como a desigualdade salarial entre homens e mulheres, pela igual participação e representação política e pelos direitos das pessoas LGBTQI+.

É com estas lutas todas, e no trabalho contínuo no parlamento dos Açores e fora dele, que o Bloco será oposição firme e de esquerda ao governo de direita e ao crescimento da extrema-direita e do discurso de ódio.

O Bloco saiu da convenção regional reforçado e com um mandato para trabalhar incessantemente na construção de uma alternativa económica, social e política de esquerda nos Açores.

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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