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Barreira de proteção

O aumento do orçamento europeu seria provavelmente a mais segura “barreira de proteção do euro”, mas quem manda não pensa assim.

Durante este fim-de-semana decorre mais uma reunião dos ministros das finanças da zona euro, em Copenhaga. Está em causa a chamada “barreira de proteção” do euro. A proposta em cima da mesa diz que esta deve ascender a um bilião de euros, somando o que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) ainda tem, ao que deveria ter o novo Mecanismo de Europeu de Estabilidade, previsto para entrar em vigor em Julho. Numa altura em que os governos falam de “acalmia dos mercados”, mantém-se o medo de que a Espanha ou a Itália tenham de vir a ser “financiadas”, se a crise se agravar. Foi, aliás, esta ideia segundo a qual “o seguro morreu de velho” que levou a Alemanha a admitir esta conjugação, sem que por isso esteja na disposição de abrir os cordões à bolsa. Mas já lá vamos.

O novo Mecanismo, criado para “dar resposta” a “novos problemas” não terá de dedicar um cêntimo aos velhos problemas, de seu nome Grécia, Irlanda e Portugal. Parece uma mudança de fundo, não é? Pois não será. Em primeiro lugar, o aumento de liquidez é válido apenas para um ano, já que se prevê que o FEEF conclua as suas funções em Julho de 2013. Depois dessa data, o montante disponível passa a ser novamente de 500 milhões de Euros, isto é, o montante atribuído ao Mecanismo. Em segundo lugar, a mudança de posição da Alemanha parte do pressuposto de que os “velhos problemas” se vão mesmo resolver sem novos resgates. Ou seja, que não haverá surpresas. Mas, sem investimento, sem crescimento, sem criação de emprego, será mesmo assim? Em terceiro lugar, esta discussão faz-se ao mesmo tempo que em slow motion os governos abordam o futuro do orçamento europeu, onde a pressão é para a sua redução. Parece irónico, mas não é. O aumento do orçamento europeu seria provavelmente a mais segura “barreira de proteção do euro”, mas quem manda não pensa assim.

Artigo publicado no jornal As Beiras de 30 de Março de 2012

Sobre o/a autor(a)

Eurodeputada, dirigente do Bloco de Esquerda, socióloga.
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