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Bancos assaltam clientes

Ao contrário do que nos quer fazer crer uma comunicação social que tem como agenda política, exacerbar sentimentos de insegurança ou de racismo, repetindo os cenários que garantiram a vitória de Sarkozy ou de Berlusconi, os "assaltos" que mais preocupam os portugueses são os efectuados todos os dias pela banca ao bolso dos seus clientes..

Que o digam os milhares de famílias esmagadas pelo peso do crédito à habitação em constante aumento, justificado com decisões de um Banco Central Europeu cuja única preocupação é aumentar os lucros da banca. O famoso "Euribor" funciona frequentemente como desculpa para os mais variados aumentos decididos internamente pela banca portuguesa. Famílias que ficam sem casa ou que cortam nas despesas básicas para poderem pagar o empréstimo à banca, são detalhes que não constam no relatório e contas dos Conselhos de Administração.

Mas o furto (como nos esclarece o Código Penal, não se trata de um roubo porque geralmente a banca não ameaça explicitamente os seus clientes com armas e até conta com a total cobertura das autoridades) continua atingindo elevados requintes...

É o caso das famosas taxas de manutenção de conta. Temos de pagar taxas cada vez mais elevadas para ter o privilégio de ter conta no banco. Como quase todos os portugueses só recebem o seu salário se tiverem conta num banco e as taxas são mais elevadas para os mais pobres com uma conta de baixo valor... é óbvio que não é necessário usar armas para assaltar os clientes...

E se tivermos a ousadia de pedir um livro de cheques, hão-de reparar que se trata do papel mais caro do mercado, valendo cada pequeno rectângulo quantias apreciáveis.

Um conceituado banco chega mesmo a cobrar uma taxa aos clientes que se dirigem ao banco para trocar dinheiro (notas pequenas por grandes ou vice-versa).

A quem pedir um crédito automóvel, vários bancos cobram uma "taxa de abertura de crédito". Vejam o engenho e arte da nossa banca, para além do produto comprado (o crédito automóvel), paga-se uma taxa de acesso ao produto. E se o padeiro da esquina resolve cobrar uma taxa de acesso ao pão?

O mesmo princípio se aplica a muitos pequenos empresários. De "empresários" passam a meros empregados dos bancos, já que a sua principal preocupação é cumprir com as prestações de créditos sempre em constante aumento.

É com esta gestão rigorosa que os nossos banqueiros conseguem as verbas que lhes permitem conceder empréstimos a fundo perdido... aos filhos.

Obviamente nenhum destes assaltos abre telejornais ou motiva títulos de primeira página. Se isso acontecesse as verbas da publicidade dos bancos cessavam e os jornalistas iriam engrossar os números do desemprego...

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
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