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Autárquicas e o Futuro

No dia 26, o que se decide é se queremos habitação a preço acessível, transportes que servem as pessoas, apoio social que responda às necessidades de quem precisa, uma aposta a sério e não meramente propagandística na qualidade ambiental e no ordenamento do território.

Realizam-se no dia 26 de setembro as eleições autárquicas. A campanha começou oficialmente na passada terça-feira mas há várias semanas que os candidatos e candidatas aos vários órgãos das autarquias locais começaram a comunicar com os eleitores.

O debate sobre os grandes temas locais concentrou-se em dois ou três temas que, curiosamente, não têm sido os assuntos mais debatidos em anteriores campanhas eleitorais.

Para além da quebra demográfica, problema que tem um grande número de causas e por isso abrange praticamente todas as áreas da governação local e regional, tem sido a habitação a mobilidade e o ambiente e ordenamento do território a dominar as atenções nas maiores autarquias.

É sintomático que assim seja. Esses são alguns dos principais problemas que as populações se deparam nos dias de hoje. A verdade é que estas têm sido ao longo de vários anos prioridades dos programas e da intervenção local do Bloco de Esquerda. O facto de agora se tornarem inevitáveis no debate político é sinal claro do acerto das maiores preocupações que temos há muito nos nossos programas políticos autárquicos.

Hoje a dificuldade em aceder a uma habitação condigna a preços que sejam comportáveis para parcos rendimentos da vasta maioria dos açorianos e açorianas, o ordenamento, custo e eficácia dos transportes e da mobilidade nas nossas cidades, vilas e freguesias e a importância de uma política ambiental que pense no presente e acima no futuro de quem aqui vive, tornaram-se preocupações essenciais.

Basta ter acompanhado os diversos debates autárquicos que vários órgãos de comunicação social promoveram para perceber o quão foram incontornáveis esses assuntos.

O desafio dos próximos autarcas é responder aos desafios do momento, mas também resolver problemas que resultam do completo desinteresse por questões fulcrais, como por exemplo o saneamento básico, sempre desprezado por não permitir pomposas inaugurações em véspera de eleições. A consequência é a poluição marinha que tem levado à contaminação de zonas balneares, colocando em risco a saúde pública e envergonhando uma região que se diz de natureza intacta.

Estes são assuntos prioritários dos programas políticos do Bloco que se apresenta com candidatas e candidatos cada vez mais preparados, sendo vários deles jovens determinados e audazes que querem mudar o rumo dos seus concelhos.

O que se decide no dia 26 não é a relação de forças entre PS e a coligação PSD/CDS/PPM. Não é uma mera aritmética do número de câmaras e juntas que cada partido conquistou e quais passaram de uma força para a outra. Essa análise, interessante acima de tudo para os comentadores, pouca ou nenhuma diferença faz na vida das pessoas, para além de algumas horas de entretenimento enquanto assistem às análises pós-eleitorais.

O que se decide é o rumo para cada concelho e se queremos deixar esse rumo apenas nas mãos de quem sempre o comandou alternadamente. O que se decide é se queremos habitação a preço acessível, transportes que servem as pessoas, apoio social que responda às necessidades de quem precisa, uma aposta a sério e não meramente propagandística na qualidade ambiental e no ordenamento do território.

Não tenho dúvidas que, onde o Bloco concorre, são as nossas candidaturas que melhor defendem essas prioridades.

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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