O início do ano de 2013, é para alunos, pais e profissionais de educação tempo de recomeço das atividades letivas, depois da interrupção do natal. Um novo ano costuma ser associado a vida nova, à aposta num novo ciclo, depois de se ter procedido a um balanço reflexivo sobre o ano que finda. Mas para Nuno Crato não há caminhos novos a percorrer, mesmo que o velho rumo comprometa irremediavelmente o papel da educação como alavanca do desenvolvimento do país.
Dois mil e doze foi o ano do desastre. Depois de Nuno Crato ter tomado posse anunciando, com ar magistral, que a educação em Portugal iria conhecer novos caminhos de rigor e qualidade, que nos trouxe o seu ministério? No ensino básico e secundário o aumento do número de alunos por turma, a diminuição de professores nas escolas e o agravamento das condições de trabalho dos profissionais da educação, a implementação de mega e hiper agrupamentos de gestão concentracionária, em que a lógica dominante é a distância da realidade vivida nas escolas, e uma pseudoreforma curricular, à margem das comunidades educativas que consubstancia um ataque, sem precedentes, ao pensamento crítico e criativo. Por seu turno, no ensino superior assistimos a um brutal corte no financiamento, à perda de bolsas e ao aumento das propinas que colocam o país entre os mais caros da Europa para se estudar no ensino superior.
Tudo com base na lógica dos cortes orçamentais ditados pela troika e do estrangulamento da escola pública. Educação de qualidade para quê? Cortar, cortar, de forma cega nos direitos dos de baixo, aprofundar as desigualdades sociais e favorecer os interesses dos poderosos, é a consigna na educação como nos restantes ministérios do governo PSD/CDS.
Crianças e jovens privados de um educação democrática e de qualidade e sujeitos, precocemente, ao crivo de uma avaliação estandardizada e elitista, profissionais de educação sem direito a condições dignas de trabalho é o balanço da política prosseguida no ano velho e que, tudo leva a crer, se aprofundará em dois mil e treze. Para o ministério da educação as pessoas não são mais do que algarismos nas contas de somar e subtrair, ditadas pela troika. E na aritmética, Nuno Crato fica-se, certamente, pelo mais elementar!