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Alargamento do subsídio de desemprego – O direito a ter direitos

Terão os partidos do centrão o desplante de nos dizer pela oitava vez que, quem perdeu o emprego de um dia para o outro, não tem direito à mínima protecção para subsistir porque, não cumpre as regras da lei em vigor?

Terá o PS a ousadia de repetir pela oitava vez que, o orçamento da Segurança Social não comporta esta "despesa"?

Terá o PS cara para numa situação em que o desemprego oficial em Portugal (10,3%), a mais alta taxa desde 1986, ultrapassando a média dos Países europeus, de voltar a rejeitar tal proposta?

Não aceitaremos que mais de metade dos seiscentos mil desempregados, homens mulheres e jovens sejam estigmatizados por um governo que se mantém cego surdo e mudo face ao maior problema com que se confrontam.

São muitos/as da mesma família cujas empresas encerraram e os atiraram borda fora.

São muitos/as, jovens precários com contratos de curta duração ou a recibo verde não têm sequer um cêntimo para o dia seguinte.

Que não nos voltem a repetir que não há dinheiro, quando só em estudos perdidos para um certo aeroporto que afinal já não era, se gastaram 600 milhões de euros tanto o quanto é necessário para acudir a estas pessoas.

Que não utilizem o argumento de Vieira da Silva que a taxa de substituição (valor percentual do subsidio em relação ao salário) é das mais altas dos países europeus.

Ser desempregado na França, na Espanha ou na Alemanha, não é o mesmo que ser desempregado em Portugal porque os salários são muito superiores, logo, o valor do respectivo subsidio é muito superior, tal argumento esconde este problema fundamental e, visa baralhar a opinião pública.

O Bloco de Esquerda está na rua, cumprindo o seu programa eleitoral, apelando a todos e todas que assinem uma petição que altere as regras do subsídio de desemprego da seguinte forma:

Que o prazo de garantia para a sua atribuição passe a ser de seis meses de trabalho por conta de outrem, num período de doze meses imediatamente anterior à data do desemprego; Que o subsídio passe a ser calculado sobre 70 por cento do salário; Que exista uma majoração de 25 por cento no subsídio de desemprego nos casos em que no mesmo agregado familiar se verifique uma situação de desemprego simultâneo; Que os períodos de concessão das prestações de desemprego sejam estabelecidos em função da idade do beneficiário.

O que queremos é muito simples e faz parte do mais elementar direito. - O Direito a ter direitos. Porque os desempregados/as são gente de corpo inteiro. 

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, funcionária pública.
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