A AI está aí

porAurora Ribeiro

08 de setembro 2023 - 18:15
PARTILHAR

A AI está no mundo e está na Horta. A Conferência Portuguesa de Inteligência Artificial deste ano decorre na ilha do Faial. Aqui fica registada a saudação à organização e a todos os participantes.

A Inteligência Artificial está aí e é preciso pensá-la. Está no mundo, cada vez mais transversal à sociedade, com mais aplicações e implicações. O assunto é quente, complexo e muito incompreendido pelo grande público. Sendo um processo em curso, com vertiginosos desenvolvimentos, é difícil acompanhá-los em todas as suas vertentes.

A AI está no mundo e está na Horta. A Conferência Portuguesa de Inteligência Artificial deste ano decorre na ilha do Faial. Nuno Moniz, investigador e professor faialense que se tem dedicado ao estudo do tema foi um dos proponentes para a escolha do local. Por muito que a familiaridade conte e por muito que a ilha seja um lugar muito simpático para organizar conferências sobre qualquer assunto, pesa também o interesse óbvio e direto por parte da comunidade científica local no tema da Inteligência Artificial. A colaboração por parte do centro Okeanos é bem prova disso.

O programa da conferência é imponente e inclui temas como a ética e responsabilidade no desenvolvimento da inteligência artificial, aplicação nas artes, medicina, agricultura, turismo, energia ou transportes. Mas é, provavelmente, na sua aplicação na investigação marinha que a comunidade científica do Faial estará mais interessada.

Martin Visbeck, um dos oradores convidados, está a trabalhar no projeto Digital Twin of the Ocean (DTO), que se poderá traduzir por Réplica Digital do Oceano, no âmbito do suporte à Missão “Recuperar o nosso Oceano e Águas até 2030” da União Europeia. Trata-se de uma tecnologia que pretende criar uma representação digital em tempo real dos oceanos. Funcionará integrando dados de satélites, bóias, sensores e modelagem computacional para fornecer uma visão precisa do estado oceânico. Os objetivos serão os de monitorizar as mudanças climáticas, rastrear a saúde dos ecossistemas marinhos, otimizar operações marítimas, bem como os de nela testar soluções relacionadas com a sustentabilidade e conservação dos oceanos.

No Okeanos trabalham investigadores que têm desenvolvido e adaptado modelos digitais de correntes oceânicas, modelos de distribuição e abundâncias de espécies marinhas, participado em projetos de conservação e restauro de ecossistemas marinhos vulneráveis, sobre observatórios marinhos, sobre a distribuição e impacto da poluição marinha e outros. Perspectivam-se novos caminhos para colaborações entre projetos da Inteligência Artificial com a investigação que é feita na ilha e à qual tem sido dada uma grande relevância internacional.

Uma sessão pública, na Biblioteca Municipal, garante a abertura do evento à curiosidade e inquietações da população local e permite estender a discussão dos temas tratados à esfera comunitária. À data que este artigo é publicado já o evento terá decorrido, mas aqui fica registada a saudação à organização e a todos os participantes, esperando que a reflexão aconteça também ao nível social e político sobre as possibilidades de bom uso de uma ferramenta tão criativa quanto poderosa.

Aurora Ribeiro
Sobre o/a autor(a)

Aurora Ribeiro

Licenciada em Cinema, mestre em Comunicação e Media, bolseira de doutoramento em Sociologia no ICS da Universidade de Lisboa. Nasceu em Lisboa e vive na Horta, Açores, desde 2008. Co-diretora do Festival Maravilha na Horta
Termos relacionados: