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Afirmar um novo ciclo, desafio a que nos convoca o novo ano!

O final de 2015 abriu novos horizontes de uma vida melhor para os de baixo. No entanto, a submissão do Governo do PS aos ditames de instituições europeias e nacionais representam motivo de apreensão.

O final de 2015 abriu novos horizontes de uma vida melhor para os de baixo, para aqueles e aquelas que mais têm sofrido com a política da austeridade infinita ao serviço dos mercados.

Na sequência do acordo firmado com o PS, com vista a parar o ciclo do empobrecimento, já foram implementadas algumas das medidas urgentes no sentido melhorar a vida das pessoas e restituir a esperança aos portugueses e portuguesas. Num mês foram dados importantes passos no que concerne à defesa da Educação, à dignidade das mulheres e ao direito de todos e todas à adoção.

Estou ciente de que o caminho da mudança é longo e cheio de escolhos, mas o acordo alcançado com o Partido Socialista, apesar de importantes divergências, permitiu, ainda assim, a afirmação de bandeiras da Esquerda, a melhoria das condições de vida das pessoas, salários e pensões dignas, trabalho com direitos, uma política fiscal que não penalize quem trabalha e promova o crescimento, a melhoria dos serviços públicos e a defesa do ambiente.

No entanto, a submissão do Governo do Partido Socialista aos ditames de instituições europeias e nacionais que defendem os grandes interesses financeiros representam, neste quadro político, motivo de apreensão. O caso Banif em que a solução encontrada custou mais de 2.200 milhões aos contribuintes injetados no banco para venda ao Santander, assim como a recente decisão do Banco de Portugal de relançar, já em janeiro, a venda do Novo Banco, prontamente aplaudida pela Comissão Europeia constituem sinais de alarme. O que está, mais uma vez, em causa, é a coragem para defrontar, de forma clara, a Europa dos interesses financeiros e afirmar um projeto alternativo.

Em 2016 travar-se-á uma importante batalha, as eleições presidenciais. E se alguém estava à altura de protagonizar uma candidatura de Esquerda era a Marisa. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda tem dado o seu melhor, para derrotar o projeto da direita que procura nas presidenciais uma desforra das legislativas, e colocar no centro do debate político os direitos das pessoas.

O meu incondicional apoio à Marisa tem a ver com a defesa de um país que, como escreveu a candidata, “trate bem as pessoas, os cidadãos e as cidadãs, os trabalhadores e as trabalhadoras, com respeito, com decência e com dignidade: numa palavra, que os trate como gente, gente que merece muito melhor do que o que tem tido”.

É uma batalha difícil, sabemo-lo, mas a candidatura da Marisa constitui, desde já, a afirmação de uma refrescante dinâmica alimentadora de esperança e um contributo decisivo para clarificação do que está, de facto, em jogo nestas eleições, a defesa da “democracia inteira, tanto política como cultural, tanto económica como social” consagrada na Constituição!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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