Em vez de comemorar os 200 anos, o político de extrema-direita transformou os desfiles comemorativos da independência em comícios da sua candidatura à reeleição.
Procuro nos jornais televisivos e vejo de imediato o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em destaque na tribuna, ao lado de Bolsonaro, não parecendo minimamente incomodado com o deplorável espetáculo em que participou.
Nem sequer quando o lado machista grunho de Bolsonaro veio ao de cima, ao se declarar “imbrochável”, a propósito da beleza da sua mulher Michelle. E não só se declarou como puxou o termo chulo como palavra de ordem: “Imbrochável! Imbrochável! Imbrochável!”, gritou, de dedo em riste. (Para quem não conhece, imbrochável é o homem que não brocha, isto é, que tem sempre o pénis em riste).
“O que fica para a história, é que Portugal esteve presente num momento histórico”, assim justificou Marcelo a sua participação naquele evento grotesco.
Momento histórico, o que ocorreu neste 7 de setembro em Brasília e no Rio de Janeiro? Só se for por ter sido a primeira vez que a independência do Brasil foi esquecida nos eventos organizados pelo Estado e as Forças Armadas brasileiras, transformados em comícios da direita mais extremista, abjeta e grunha, disposta a tudo para manter-se na Presidência.
Momento histórico? Só se for pela ausência de representantes dos outros dois poderes, o senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso, e Luiz Fux, do Superior Tribunal Federal (STF), além do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que não compareceram, apesar de convidados. “O que não se pode de fato é aproveitar o desfile cívico e a comemoração cívica para a política partidária”, resumiu Rodrigo Pacheco, ouvido pela Folha de S. Paulo.
Marcelo sabia perfeitamente que esse aproveitamento, nas vésperas das eleições de 2 de outubro, iria acontecer. Sem dúvida que tinha consciência da mais que anunciada ausência dos representantes do Legislativo e do Judiciário. Mesmo assim, decidiu participar.
Envergonha portugueses e brasileiros.