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… E lhes franqueia as portas à chegada… Eles comem tudo! Eles comem tudo!

Para a direita neoliberal, o direito ao trabalho, o impedimento do despedimento sem justa causa, o garante dum SNS ou de uma escola pública são direitos insuportáveis.

As motivações de Passos Coelho ao apresentar a revisão da Constituição, não são meras questões de distracção e muito menos de leitura política enviesada.

Representam sem qualquer sombra de dúvida o centro da política que quer levar a cabo e consubstanciam as velhas aspirações da direita.

À boleia de uma conjuntura que lhe é aparentemente favorável, animado pelas sondagens e pelas óbvias cedências do PS que começa sempre por contestar as propostas da direita fazendo como é hábito o já conhecido número “ de um certo ar de esquerda” para logo de seguida as considerar inevitáveis e passar à sua aplicação. Passos Coelho, sem qualquer hesitação apresenta à cabeça todo o plano.

É o plano da destruição das conquistas civilizacionais do pós-guerra, do Estado Social como garante da democracia, das liberdades individuais e colectivas, dos direitos sociais e laborais.

Tais direitos e conquistas tiveram expressão em Portugal só após o 25 de Abril de 1974 e, foram materializadas na Constituição da República.

São por isso, no contexto histórico recentes e o seu exercício é débil.

Para a direita neoliberal, o direito ao trabalho, o impedimento do despedimento sem justa causa, o garante dum SNS ou de uma escola pública são direitos insuportáveis e por isso propõem que sejam banidos do texto Constitucional.

Não se ficando por aqui, esta mesma direita também dá corpo à sua aspiração de sempre “ Um Governo, uma maioria, Um Presidente” propondo até o prolongamento dos mandatos, dando-lhes mais tempo no poder, impedindo a maior participação e controlo popular.

É a democracia que se quer ver ferida de morte. É o ajuste de contas que querem fazer com Abril.

Cavaco pronuncia-se vagamente sem deixar claro o que na realidade defende.

Manuel Alegre já deixou claro que se oporá ao retrocesso civilizacional proposto nesta revisão Constitucional.

Tod@s aqui à esquerda levantarão uma gigantesca onda de contestação e luta contra este plano.

D@s militantes partidários que sempre lutaram pela liberdade, democracia e bem-estar, aos activistas sociais a sindicais, dos crentes aos republicanos “ “Não lhes franquearemos as portas à chegada”.

Sabemos que se o fizermos tal como dizia o Zeca “ Eles comem tudo! Eles comem tudo”.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, funcionária pública.
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