Quem faz parte do governo atual da Ucrânia?

A Rússia não fez segredo do seu desprezo pelos “terroristas e bandidos” que expulsaram Viktor Ianukovich do governo de Kiev. Mas quem são os novos governantes da Ucrânia? Por Harriet Salem The Guardian

16 de March 2014 - 11:43
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O novo governo da Ucrânia tem uma composição variada. Formado por 21 ministros, muitos são do partido Pátria de Arseniy Yatsenyuk. Uns quantos vêm do partido nacionalista de extrema-direita Svoboda. Há também um punhado de caras novas, principalmente ativistas que tiveram um papel predominante no movimento Euromaidan de Kiev, e jornalistas. O partido Aliança Democrática Ucraniana para as Reformas do boxeador transformado em político Vitali Klitschko não está representado depois de ter rejeitado ofertas de participação.

Olexander Turchynov – Presidente interino

O vice-líder do Pátria mantém ligações muito próximas com Yulia Tymoshenko, a controversa ex-primeira-ministro, que foi presa sob o antigo regime. Tem 50 anos e é de Dniepropetrovsk, e muitos veem a sua nomeação como uma manobra para abrir o caminho ao regresso da recentemente libertada e oligarca do setor do gás, Tymoshenko.

Turchynov teve um papel proeminente nos protestos de Euromaidan e foi posto sob investigação pelos serviços de segurança do ex-presidente Ianukovich pelo seu envolvimento na organização das unidades de autodefesa.

Apesar disto, Turchynov não era popular entre as massas da praça da Independência. Foi criticado pelos manifestantes quando disse que estes tinham obtido os objetivos e que deviam ir para casa, depois da queda de Ianukovich.

Turchynov tem uma longa carreira política e teve antes cargos, incluindo o de chefe da serviço secreto da Ucrânia (SBU), primeiro-ministro interino e vice-primeiro-ministro. Os documentos da Wikileaks sugerem que durante o seu mandato enquanto chefe do serviço secreto em 2005 destruiu documentos que alegadamente implicavam Tymoshenko com o crime organizado – alegações que ela sempre negou.

Arseniy Yatsenyuk – Primeiro-ministro

O político de 39 anos assumiu o leme do partido Pátria de Tymoshenko depois de esta ser presa em 2011. Apesar de ter aparecido no palco de Maidan com Tymoshenko imediatamente depois da sua libertação, muito pouco amor restou entre ambos. No passado, chamadas telefónica intercetadas mostraram Yatsenyuk a gritar com Tymoshenko. O novo primeiro-ministro nasceu na cidade de Ahernivtsi, na Ucrânia ocidental, tem reputação de ser difícil de se trabalhar com ele, e teve muitos conflitos com vários membros do seu partido.

Rejeitou o cargo de primeiro-ministro quando o agora derrubado Ianukovich lho ofereceu em janeiro, mas aceitou-o depois da vitória dos manifestantes de Maidan.

No passado, Yatsenyuk teve cargos importantes, incluindo o de chefe do Banco Central, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do Parlamento.

Yatsenyuk desvalorizou as suas origens de judeu ucraniano, possivelmente devido à prevalência de antissemitismo no seu partido.

Oleksandr Sych – Vice-primeiro-ministro

Com 49 anos, é membro do partido nacionalista de extrema-direita Svoboda (Liberdade). É um ativista antiaborto e sugeriu uma vez que as mulheres deveriam “ter um estilo de vida que evitasse o risco de violação, abstendo-se de beber álcool e de ter companhias controversas”. Foi criticado por grupos de direitos humanos e das mulheres.

Arsen Avakov – Ministro do Interior.

O especialista em médias sociais Avakov ganhou reputação por usar o Facebook para difundir atualizações sobre a situação respeitante à lei e à ordem e às ações do novo governo, às vezes antes mesmo dos comunicados de imprensa serem feitos. Exemplos recentes incluem o anúncio da extinção das forças especiais Berkut, famosas pela agressão aos manifestantes antigoverno, e a reação aos recentes acontecimentos na Crimeia, que Avakov descreveu como uma “invasão e ocupação militar”.

Avakov é membro do partido Pátria. Em 2012-13 viveu na Itália depois de as autoridades ucranianas o investigarem sobre alegada privatização ilegal de terra. A Itália recusou-se a extraditá-lo e alegou que o processo tinha motivos políticos. Em 1990, Avakov fundou e dirigiu duas empresas financeiras, Investor e Bank Basis, que se tornaram no Commercial Bank em 1992.

Andriy Deshchitsya – Ministro dos Negócios Estrangeiros

Com 50 anos, é diplomata de carreira e foi um dos primeiros ucranianos enviados para apoiar as manifestações antigovernamentais. É principalmente visto como um burocrata e antes ocupou cargos importantes nas embaixadas da Finlândia e da Polónia. Mais recentemente, foi o representante da Ucrânia na Organização para a Segurança e Cooperação da Europa. Entre os recentemente nomeados, é um dos mais neutros politicamente.

Andriy Parubiy – Chefe da segurança nacional

Parlamentar e membro do partido Pátria, Parubiy teve um papel proeminente no terreno durante os protestos Maidan como autodenominado comandante do acampamento de protesto

Foi ativo na luta pela independência da Ucrânia da União Soviética, que foi obtida em 1991, e foi um dos líderes da Revolução Laranja de 2004.

Dmitry Yarosh – Vice-líder da segurança nacional

Militante do grupo ulltradireitista Praviy Sektor (Setor de Direita), que obteve proeminência durante as manifestações EuroMaidan devido à sua postura sem compromissos.

Muitos atribuem grande parte da violência por parte dos manifestantes – incluindo o uso de cocktails molotov e pedras contra a polícia – ao grupo. Algumas fontes ocidentais expressaram preocupação acerca da inclusão de Yarosh no novo governo.

Dmytro Bulatov – Ministro dos Desportos e da Juventude.

Empresário de 35 anos, foi o líder da Avtomaidan (maidan motorizada), uma patrulha móvel que usava carros para proteger os manifestantes de Maidan dos ataques de bytitushki (um novo termo calão usado para designar os bandidos contratados pelo governo) em Kiev.

Foi raptado em janeiro e desapareceu durante oito dias. Quando reapareceu, disse que fora sequestrado por homens com sotaque russo que o torturaram, incusive cortando-lhe parte da orelha. Fugiu para a Lituânia temporariamente, temendo pela sua segurança na Ucrânia.

Tetyana Chernovil – Outra proeminente ativista que foi recompensada por ter sido agredida durante os protestos. Com 34 anos, obteve fama pelas suas investigações jornalísticas sobre os principais políticos e oligarcas ucranianos.

Durante os protestos, dos quais foi uma das porta-vozes, Chernovil foi agarrada numa estrada e espancada pelos assaltantes. Na altura, a polícia alegou que o ataque tinha sido crime comum, mas ela considerou as declarações ridículas e disse que o ataque era claramente vinculado ao seu trabalho. O seu papel preciso no governo não é claro.

4 de março de 2014

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

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