You are here

Monsanto: “Possivelmente a corporação mais temida da América"

A Monsanto passou de uma pequena empresa química para uma extremamente poderosa empresa mundial de biotecnologia agrícola, que a revista Fortune identifica como “possivelmente a corporação mais temida da América". Neste artigo, assinalamos alguns dados que nos ajudam a perceber a dimensão do poder e influência desta empresa.

Tendo a sua sede principal em St. Louis, no Missouri, a Monsanto possui 404 instalações em 66 países, das quais 146 estão espalhadas por 33 estados norte americanos. A empresa conta com 21.183 funcionários a nível mundial, 10.277 nos EUAi.

Em 2011, a Monsanto foi considerada a maior empresa biotecnológica de sementes do mundo. Neste ano, a empresa declarou 11,8 mil milhões de dólares em vendas líquidas e lucros de 1,6 mil milhõesii. Em 2012, o grupo viu a sua faturação aumentar para 13,5 mil milhões de dólares. O lucro subiu para dois mil milhões de dólaresiii.

Controlo do mercado dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM)

Em 2009, os produtos da Monsanto eram cultivados em 282 hectares a nível mundial e em 40% da área cultivada nos EUA. Perto de 93% de toda a plantação de soja e 80% da plantação do milho nos EUA foram cultivadas com sementes contendo material genético patenteado pela Monsantoiv.

A multinacional tem mais de 1.676 patentes sobre sementes, plantas e outras aplicações agrícolasv, controlando mais de 90% das sementes transgénicas que se vendem em todo o mundo.

De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Segurança Alimentar, a Monsanto promoveu, a partir de 2010, 136 ações judiciais contra agricultores norte-americanos por estes utilizarem a sua tecnologia sem a devida licença. Essas ações envolveram 400 agricultores e 53 pequenas empresas. A empresa investiga cerca de 500 agricultores todos os anosvi.

Relações com o Governo dos EUA, organismos públicos e empresas privadas

Entre 2010 e 2012, as contribuições da Monsanto para campanhas eleitorais nos EUA foram de 829.662 dólares. Neste mesmo período, a despesa da Monsanto com lobbing nos EUA atingiu os 62.356.730 dólaresvii.

A promiscuidade entre a Monsanto e o governo dos EUA é notória, bem como a influência do grupo em vários organismos públicos e empresas privadas. Os membros da direção da Monsanto têm ocupado lugares na EPA, assessorado o Departamento de Agricultura dos EUA e integrado o Comité Consultivo do presidente Barack Obama para a Política Comercial e Negociações.

Fonte: Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

 

Os altos representantes da Monsanto têm ainda ocupado cargos de topo em várias universidades como a South Dakota State University, o Arizona State’s Biodesign Institute e a Washington University, em St. Louis. A multinacional partilha também membros da direção com outras corporações, como a Procter & Gamble, a Lockheed Martin e a Synthetic Genomics.

Os administradores do grupo têm ainda exercido cargos em vários outros organismos como o Conselho Internacional de Alimentos e Política Agrícola, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia e a Academia de Medicina do Reino Unido, entre outros.

Fonte: Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

 

A empresa investe na pesquisa académica das universidades públicas, influenciando os seus resultados por forma a que os mesmos favoreçam os seus produtos.

A contaminação do ambiente e o perigo para a saúde pública

Entre os produtos já produzidos pela Monsanto desde o início da sua atividade encontram-se, entre outros, a sacarina, cafeína, vanilina, sedativos, laxantes, adubos, detergente, fibras sintéticas, PCB's, Agente Laranja, aspirina, poliuretanos, sementes transgénicas e herbicidas.

Conforme avança a Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA), a Monsanto é a quinta maior empresa poluidora de águas dos Estados Unidos. O grupo já contaminou a terra, água, ar e subsolo com 166,8 milhões de toneladas de produtos químicos.viii Várias instalações da Monsanto foram consideradas pela EPA como superfund (lugar abandonado onde estão localizados resíduos perigosos, causando possíveis riscos para os ecossistemas locais e pessoas)ix.

Cerca de 99% dos PCB'sx utilizados nos EUA foram produzidos pela Monsanto na sua fábrica de Sauget, em Illinois, que apresenta a taxa mais elevada de morte fetal e de nascimentos prematuros do estado, até terem sido totalmente proibidos pelo Congresso norte americano em 1976.

Para branquear a sua imagem, a Monsanto gastou, entre 2009 e 2011, 279 milhões de dólares com publicidadexi.

 


ii Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

iv Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

v Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

vi Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

vii Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

ix Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

x PCB's – ver definição da Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bifenilpoliclorado

xi Relatório de 2013 “Monsanto – a corporate profile”, da Food & Water Watch

Sobre o/a autor(a)

Socióloga do Trabalho, especialista em Direito do trabalho
(...)

Resto dossier

Monsanto: Há mais de um século a contaminar o planeta

Criada em 1901 como uma empresa de produtos químicos, a Monsanto, hoje dedicada à biotecnologia agrícola, tem vindo, ao longo dos anos, a contaminar o nosso planeta, a controlar a nossa alimentação e a exercer o seu poder e influência junto de governos e organismos públicos. Dossier organizado por Mariana Carneiro.

Monsanto: “Possivelmente a corporação mais temida da América"

A Monsanto passou de uma pequena empresa química para uma extremamente poderosa empresa mundial de biotecnologia agrícola, que a revista Fortune identifica como “possivelmente a corporação mais temida da América". Neste artigo, assinalamos alguns dados que nos ajudam a perceber a dimensão do poder e influência desta empresa.

Os produtos com que a Monsanto contamina o planeta

O envenenamento do meio ambiente e de populações com PCB's, a aplicação massiva de Agente Laranja no Vietname, os perigos para a saúde pública causados pela hormona de crescimento bovino, a contaminação de culturas pelos OGM ou os efeitos do herbicida Roundup nas células humanas são algumas das matérias que a Monsanto procura branquear a todo o custo.

Os atos das sementes

O acesso livre a sementes é a base da soberania alimentar, que é o direito de todos os povos à definição das suas próprias políticas agrícolas e alimentares de forma apropriada às suas circunstâncias particulares. Este direito está hoje a ser atropelado. Artigo de Lanka Horstink.

Monsanto e a controvérsia científica

 

Os organismos geneticamente modificados (OGMS) são um tipo de biotecnologia que enquanto dispositivo político reforça os cânones da ciência moderna. Centrais na discussão sobre a objetividade e missão da ciência, bem como da legitimidade das publicações científicas, os OGMs promovem uma controvérsia que se desenha no eixo norte-sul e na dissidência científica. Artigo de Irina Castro.

As agriculturas do mundo e o negócio das sementes, fertilizantes e pesticidas

 

Não por mero acaso, o percurso histórico de agravamento das desigualdades produtivas e da fome, no século XX, é coincidente com o da história das principais multinacionais que ainda hoje atuam no mercado mundial. Artigo de Ricardo Vicente.

Uma outra revolução verde

Em 1968, o diretor da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), William Gaud, anunciava uma revolução tecnológica para aumentar a produtividade agrícola. Hoje assistimos ao mesmo tipo de discurso, baseado no mesmo tipo de erros.

Os novos Frankensteins

 

 

A Comissão Europeia continua determinada em aprovar o cultivo de uma variedade de milho geneticamente modificado da Pioneer. Se esta investida for bem sucedida, esta variedade de milho irá juntar-se a outra criada pela Monsanto, que já é cultivada na Europa, e abrir mais uma brecha na política anti-transgénicos europeia.

Monsanto: Do agente laranja ao agente laranja

A Monsanto desenvolveu variedades OGM de algodão e soja resistentes ao herbicida dicamba (igualmente utilizado na guerra do Vietname, semelhante ao 2,4-D) aguardando apenas a aprovação do USDA. Com o cultivo destas variedades geneticamente modificadas regressa a utilização de um dos químicos do infame agente laranja. É um regresso às origens.

Máquinas de guerra: Blackwater, Monsanto e Bill Gates

O maior exército mercenário do mundo, Blackwater vendeu serviços clandestinos de espionagem à transnacional Monsanto. Artigo de Silvia Ribeiro, La Jornada, publicado em 2010.

O lado mais sujo da Monsanto

Para impor os seus produtos em todo o mundo, a empresa mobiliza agências de espionagem norte-americanas, vigia cientistas e dispara ataques cibernéticos. Por Marianne Falck, Hans Leyendecker e Silvia Liebrich, no Süddeutsche Zeitung.

Documentários que falam sobre a Monsanto

Neste artigo, o esquerda.net reproduz os documentários “Le monde selon Monsanto” (O Mundo segundo a Monsanto), “Seeds of Freedom” (Sementes da Liberdade)”, “Food Inc.” (Alimentos SA), e “The Future of Food” (O futuro dos Alimentos).