Se o leitor usa gás natural na sua cozinha ou no aquecimento da sua casa, é bastante provável que esteja a usar o gás importado da Argélia e que chega ao nosso país através do gasoduto Maghreb – Europa. Este gasoduto parte do campo Hassi R’mel na Argélia, atravessa Marrocos e chega a Córdoba, na Andaluzia, depois de percorrer 27 quilómetros sob o mar a uma profundidade máxima de 400 metros. Em Córdoba, é ligado às redes de Espanha e de Portugal.
Em 2016, cerca de 50% do gás natural importado por Portugal vinha da Argélia e 20% na Nigéria. Para além do gás natural que chega através do gasoduto, Portugal recebe ainda este combustível em estado líquido através de navios-tanque que atracam no terminal de gás natural de Sines.
Combustíveis minerais são 90% dos bens importados por Portugal da Argélia
Em 2018, Portugal importou da Argélia bens no valor de 415,5 milhões de euros e exportou bens no valor de 281,5 milhões de euros. Apesar deste grande défice de Portugal para a Argélia, este país é o 25º cliente de Portugal e também o 25º maior fornecedor do nosso país. Mas enquanto que a pauta de exportações portuguesas para a Argélia é variada – os quatro primeiros itens são máquinas e aparelhos 28,2% do total das exportações, seguido de pastas celulósicas e papel (15,9%), metais comuns (13,6%) e plásticos e borracha (11,8%) – a pauta de importações é praticamente monopolizada pelos combustíveis minerais, que respondem por 89,9% das importações daquele país.
Na Argélia, hidrocarbonetos respondem por 85% dos ganhos de exportação
Os hidrocarbonetos representam cerca de 60% das receitas orçamentárias da Argélia, 30% do PIB e mais de 95% dos ganhos de exportação.
A Argélia tem a décima maior reserva de gás natural do mundo e é a sexta maior exportadora desse combustível fóssil. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos informou que, em 2005, a Argélia tinha reservas de gás natural comprovadas de 480 biliões de pés cúbicos (4,5 × 1012 m³). Também ocupa o 16º lugar nas reservas de petróleo, produzindo cerca de 1,1 milhões de barris/dia.
A petrolífera argelina, a Sonatrach, é acionista da EDP, detendo 2,38% do capital da empresa.