Greve geral mobilizou sociedade contra a austeridade

As medidas de austeridade no Orçamento de Estado para 2012 motivaram a convocatória de uma greve geral conjunta da CGTP e UGT, considerada a maior de sempre e que pela primeira vez contou com uma grande manifestação em Lisboa. Para a história fica também a intervenção policial, que reprimiu os piquetes de greve e infiltrou agentes provocadores na manifestação.

29 de dezembro 2011 - 12:01
PARTILHAR
Pedro Filipe Soares no piquete na Huber, S. M. Feira, uma das muitas empresas que fecharam na Greve Geral

A greve ocorreu exatamente um ano após a última greve geral contra o Governo de José Sócrates, mas a mobilização foi maior do que em 2010. CGTP e UGT uniram-se na convocatória do protesto do dia 24 de novembro que sublinhou a recusa do plano da troika para empobrecer o país e transferir mais rendimento dos trabalhadores para o lado do capital.



Nos transportes públicos das principais cidades a paralisação foi quase total, com Lisboa sem metro, barcos e comboio e com alguns autocarros a circular devido à intervenção policial nos piquetes de greve na Carris durante a madrugada. Os portos e aeroportos também encerraram, bem como inúmeras escolas. No Porto apenas circulou a linha amarela do Metro com troço e oferta reduzida e registou-se uma forte adesão no setor privado, com destaque para os setores da metalurgia, construção, indústrias elétricas, pequeno comércio ou restauração.  



Para além da mobilização que fez parar boa parte da produção do país, houve uma manifestação em Lisboa, promovida promovida pela CGTP e pela Plataforma 15 de outubro, que juntou muitos milhares de grevistas em frente à Assembleia da República.



Carvalho da Silva afirmou que a greve foi “uma mensagem clara contra o aumento da exploração e contra o empobrecimento” e João Proença acusou o Governo de manipular os dados da adesão à greve, sublinhando que “o documento que o governo pôs cá fora às 11h30 é uma vergonha e ultrapassa os limites da decência”.



Para além da repressão aos piquetes, o dia de greve geral ficou ainda marcado pela ação policial na manifestação em São Bento, onde agentes policiais à paisana foram identificados em imagens televisivas e fotografias na primeira linha junto às barreiras policiais a provocarem os seus colegas de profissão e a derrubarem essas barreiras para provocarem uma resposta violenta. Mais tarde, os mesmos agentes a, que foram depois levados a tribunal. Foram todos absolvidos, à exceção dos que tiveram a defesa a cargo de advogados oficiosos, condenados a pena suspensa.



A greve geral em Portugal atravessou a fronteira com a Galiza, onde a Confederação Intersindical organizou uma concentração de solidariedade em frente aos consulados de Portugal em Vigo e Ourense.

Termos relacionados: