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Dossier Alterações Climáticas: Aquecimento global, dados são alarmantes

O dossier desta semana do portal esquerda.net é sobre as alterações climáticas que afectam seriamente o planeta. Neste artigo é feita uma introdução ao tema, dois outros artigos abordam os efeitos globais e os efeitos em Portugal, outro trata das causas das grandes mudanças no clima. O protocolo de Quioto constituiu uma primeira resposta da comunidade internacional, num artigo avalia-se a evolução das respostas e noutro avalia-se os mecanismos de transacção de emissões de gases de efeito de estufa. O empenhamento da União Europeia na aplicação do protocolo e a situação de Portugal são igualmente abordados. Os textos são da autoria de Rita Calvário. Em anteriores artigos noticiámos a cimeira de Nairobi, no início da cimeira e na apresentação de estudo da ONU. Em PodEsquerda 5 pode ouvir entrevistas a Viriato Sorormenho Marques, Filipe Soares Santos e Francisco Ferreira.

O clima do planeta está a mudar de forma acelerada e já não há lugar para dúvidas de que as actividades humanas têm um papel central no aquecimento global. Os efeitos do aquecimento global são tremendos e alguns deles já hoje se fazem sentir gravemente e poderão ter consequências a muito curto prazo.

A larga maioria da comunidade científica atesta esta relação directa e hoje assistimos já aos efeitos do aquecimento global: os glaciares estão a derreter e o nível médio do mar a subir, afectando as populações costeiras e ribeirinhas; as correntes marítimas e dos ventos alteram-se, influenciando as estações; os fenómenos climáticos extremos intensificam-se, como as tempestades, as secas e as ondas de calor, originando graves prejuízos humanos e económicos; são cada vez maiores as interferências no ciclo de vida dos animais e plantas, acelerando-se a perda de habitats e da biodiversidade e afectando a produção de alimentos; surgem novas doenças, reaparecem outras e aumentam as epidemias, ....

Se traduzirmos estes efeitos em custos para a economia, a linguagem perceptível para as instituições internacionais e nacionais que governam o mundo, eles são abismais.

O recente relatório Stern, encomendado pelo governo britânico, aponta cenários alarmantes, sobretudo para os países do Mediterrâneo, como Portugal, referindo-se às alterações climáticas como a maior falha de mercado de todos os tempos. E conclui que o aquecimento global, que será responsável por 200 milhões de refugiados ambientais e por tornar grandes áreas do mundo inabitáveis, trará custos superiores aos das duas guerras mundiais se nada for feito de imediato (entre 5 a 20% do PIB mundial). Traduzindo as previsões científicas em custos económicos, caso a inércia política perante o problema persista, o economista Nicholas Stern antecipa uma recessão económica mundial para as próximas décadas.

O estudo apresentado na 12ª Conferência da ONU (United Nations Framework Convention on Climate Change) sobre as Alterações Climáticas, em Nairobi (6 a 17 de Novembro site nairobi2006.go.ke) confirma este panorama: as ameaças climáticas podem custar mais de um bilião de dólares por ano daqui a 30 anos. A este respeito o sector dos seguros afirma que a elevação de 1ºC pode elevar os custos em 2 biliões de dólares para a economia mundial, sendo que em 2005 as perdas económicas com desastres naturais totalizaram 210 mil milhões de euros (só o furacão Katrina, nos E.U.A., custou mais de 120 mil milhões de dólares à economia).

Os dados são alarmantes e exigem uma resposta urgente, se queremos garantir condições de vida para a actual geração e a habitabilidade futura do Planeta.

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Resto dossier

Dossier Alterações Climáticas: Aquecimento global, dados são alarmantes

O dossier desta semana do portal esquerda.net é sobre as alterações climáticas que afectam seriamente o planeta.

Causas das alterações climáticas: Alterações climáticas são resultado de causas humanas

Até um pouco depois de meados do século XX, a natureza foi considerada como uma fonte inesgotável de vida e de recursos, totalmente controlável e manipulável pela Humanidade. Foi tomada como um simples factor de produção submetida aos desígnios da produção económica, assumindo uma dimensão utilitarista. As alterações climáticas a que vimos assistindo têm causas humanas, que põem em questão o modo de produção.

Protocolo de Quioto: Portugal, o pior desempenho da União Europeia

Portugal assumiu o compromisso de aumentar até 27% as suas emissões no período de 2008-2012, no entanto esse valor foi há muito ultrapassado. Na 11ª Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas a Comissão Europeia apresentou um relatório que prevê para Portugal vários cenários: em qualquer dos casos é o pior desempenho da União Europeia a 25. As medidas ficam aquém do necessário e muitas ficam até por implementar. Artigo de Rita Calvário.

Quioto, resposta às alterações climáticas: Protocolo de Quioto, primeiro passo boicotado pelos EUA

O Protocolo de Quioto foi o primeiro passo da comunidade internacional para reconhecer e enfrentar o problema das alterações climáticas. A meta estabelecida de 5% é insuficiente. Mas sobretudo a recusa dos EUA, responsáveis por um quarto das emissões globais, a cumprirem os compromissos do protocolo, constitui o maior obstáculo a uma primeira resposta da comunidade internacional às alterações climáticas.

Quioto e os direitos de emissão: Mecanismos assentes no mercado são limitados

O Protocolo de Quioto estipula a aplicação de mecanismos assentes no mercado, baseados na transacção comercial de direitos de emissão entre países. A aplicação deste tipo de instrumentos é do interesse do capital privado e das corporações transnacionais. A limitação e os riscos destes instrumentos, baseados no mercado, sugerem a necessidade de políticas que combatam as alterações climáticas, por via da regulamentação e regulação.

União Europeia e alterações climáticas: União Europeia empenhada na redução da poluição

Ainda antes da assinatura do Protocolo de Quioto já tinham sido lançadas tentativas de respostas europeias para controlar as emissões de CO2, mas sem qualquer sucesso. A União Europeia empenhou-se em aplicar os compromissos do protocolo de Quioto e, entre 1990 e 2001, reduziu as emissões de gases de efeito de estufa em 2.3%, mas a maioria dos estados está longe de cumprir as metas. Os objectivos acordados pelos primeiros-ministros europeus em Março de 2005 apontam que em 2050 a União Europeia terá de poluir menos 60 a 80% do que em 1990. O estabelecimento destas intenções mostra o empenho da U.E. nesta matéria: mesmo antes de Quioto fixar compromissos, a Europa dá já um sinal da direcção que quer seguir.

Efeitos das alterações climáticas: Secas severas em Portugal

As regiões mediterrânicas são as mais vulneráveis às alterações climáticas na Europa.
Nos últimos 30 anos a temperatura em Portugal tem aumentado a um ritmo de 0.4 a 0.5ºC por década. A amplitude térmica diária tem vindo a decrescer, acompanhadas por um aumento da frequência de secas severas e redução da duração da estação chuvosa, particularmente nas regiões do Sul do país, prevendo-se um aumento substancial do risco de incêndios.

Alterações climáticas, efeitos: 2005 foi o ano mais quente

Desde 1861, os cinco anos mais quentes foram 2005, 1998, 2003 e 2004, por esta ordem. Os efeitos globais das alterações climáticas são variados e de consequências terríveis para a humanidade. As cheias são o desastre natural mais comum na Europa que, entre 1995 e 2004, sofreu 20 grandes inundações que mataram quase mil pessoas. Os prejuízos económicos associados aos desastres naturais atingiram o valor recorde de 160 milhões de euros em 2005, quase duplicando o anterior máximo de 1998. Três dos 10 maiores furacões de sempre aconteceram em 2005.
 Efeitos globais das alterações climáticas