Candidato defende retirada imediata do Iraque: A alternativa verde a Hillary Clinton

04 de novembro 2006 - 0:00
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Howie Hawkins, veterano activista do Partido Verde de Nova York, funcionário da UPS, candidata-se ao Senado como uma alternativa à candidata democrata pró-guerra Hillary Rodham Clinton. As sondagens mostram que, entre os eleitores independentes, Hawkins tem quase tanto apoio quanto o opositor republicano de Clinton, John Spencer. Extractos de uma entrevista dada ao jornal Socialist Worker.



Porque se candidata contra Hillary Clinton?



Para dar voz à maioria antiguerra de Nova York. Clinton votou a favor de todos os pedidos de Bush ao Congresso para obter poderes de guerra e financiamentos às guerras no Iraque e no Afeganistão. A maioria dos novaiorquinos quer os nossos soldados fora do Iraque, e é isso o que eu quero. Quero dar voz à maioria dos novaiorquinos.



Em segundo lugar, quero lutar por um plano de seguro nacional de saúde que abranja todos. É uma coisa que Clinton impediu em 1993, quando foi posta à frente da comissão da Casa Branca para estudar um seguro público de saúde. Ela retirou-o da agenda e avançou com o que eu chamo de seguro de saúde privado compulsório, subsidiando os seguros de saúde privados. Na época foi chamado de "Hillary Case", e é hoje o plano Massachusetts, que ela apoiou.



É ineficaz e dá mais dinheiro à indústria de seguro privado de saúde, que é igualmente ineficaz. Sou a favor de um sistema de saúde público e eficiente.



Finalmente, quero renovar a energia para criar empregos, pela paz e pelo meio ambiente. Quero tirar 300 mil milhões de dólares do orçamento militar e aplicá-los na reestruturação da infra-estrutura mundial de energia renovável. Essa medida criaria milhões de empregos em todo o mundo, incluindo centenas de milhares aqui em Nova York. Faria mais pela paz mundial e pela segurança nacional do que todas as armas do mundo, porque actualmente estamos a ocupar outros países para lhes roubar os recursos, particularmente o petróleo, e criando ressentimentos. O que deveríamos fazer é desarmar os nossos inimigos com generosidade. Devíamos espalhar a boa vontade em vez do ressentimento, e fazer amigos em vez de inimigos.



Finalmente, enfrentaríamos a crise do aquecimento global e o aumento potencial da produção de petróleo, que terá consequências terríveis para a nossa economia, bem como para o meio ambiente.



A sua plataforma defende a retirada imediata do Iraque. Há muitas pessoas que se opuseram à invasão do Iraque, mas dizem que os EUA não podem retirar imediatamente. Qual é a sua resposta?



Uma dos que usou esse argumento foi John Kerry. Ele devia ter recuado e ouvido o seu próprio testemunho quando estava nos Veteranos do Vietname Contra a Guerra. Nessa altura, disse: "Quem quer ser o último a morrer por causa de um erro?"



Se a conclusão é que não deveríamos estar lá porque é errado colonizar países por bases militares e recursos, então devemos sair.



A realidade é que as tropas americanas não podem ter um papel construtivo em qualquer circunstância no Iraque. Os iraquianos odeiam-nos por ocuparmos o país deles, por torturar o seu povo em lugares como Abu Ghraib, pelos incidentes de assassinatos e violações que foram amplamente publicitados entre os iraquianos. Não nos vêem como libertadores. Vêem-nos como ocupantes, e somos alvos da maioria dos actos de violência que ocorrem no Iraque.



Por isso, não podemos ter qualquer papel construtivo. O que podemos fazer, uma vez que tenhamos saído, é dar fundos para a reconstrução, através de quaisquer canais internacionais que os iraquianos escolham. Devemos reparações ao Iraque.



Fomos para lá quando os britânicos não podiam manter o domínio colonial, apoiando gente como Saddam Hussein, que atacou a esquerda e depois atacou o Irão com o nosso apoio. Mais tarde, bombardeámos o Iraque durante a primeira Guerra do Golfo, bombardeámos outra vez sob Clinton na Operação Raposa do Deserto em 1998, e depois ocupamos totalmente o país com uma violência ainda superior em 2003.



A minha resposta é que não se pode esperar que os soldados andem por lá a servir de alvos para uma missão que estamos a abandonar - uma missão que era errada desde o início. Não se tratava de armas de destruição em massa, nem de terrorismo, nem de democracia.



Temos de compreender que a exigência da saída das tropas é uma coisa com que concorda a maioria dos americanos; que 72% das tropas concordam, segundo as sondagens da Zogby na Primavera passada; e que a maioria dos iraquianos concorda, segundo as sondagens feitas em Junho pelo Instituto de Investigação Social da Universidade de Michigan.



Por isso, é hora de retirar, e de retirar já.



Leia aqui a íntegra da entrevista (em inglês).

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