Valério Arcary

Valério Arcary

Historiador e professor universitário em São Paulo, Brasil. Dirigente do PSOL.

Quem reduz a análise aos efeitos faz teleologia, uma forma de pensamento mágico que anula o grau de incerteza que existe sempre presente em toda luta social e política séria.

A questão central da tática aprovada é que o PSOL oferecerá apoio incondicional ao governo Lula contra a oposição bolsonarista, no Parlamento e nas ruas, mas não participará do governo.

O PSOL deve aceitar cargos no governo Lula? Três táticas diferentes dividem a esquerda socialista. Entre elas, há, também, posições intermediárias. Algumas vezes, os debates táticos são tão sérios e graves que têm desdobramentos estratégicos.

Previsivelmente, Jair Bolsonaro não aceitará o resultado das urnas. A partir de domingo à noite o bolsonarismo deverá deflagrar uma campanha política golpista questionando o resultado das urnas.

Tudo conta e muito. Mas o papel da militância é a variável que pode fazer a diferença. Militância consciente não precisa de excessos de ufanismo. A vitória de Lula não está garantida. É possível vencer, mas vai ser preciso lutar muito. Lutar contra o medo, com sanha, com ira, com fúria.

Os votos em disputa são uma minoria ínfima. A campanha se desenvolve em cinco frentes. Nas escolhas da tática política, na articulação de apoios, na mobilização nas ruas, na agitação das redes sociais e nos horários de propaganda nas rádios e televisões. O decisivo será a tática política.

Se Bolsonaro não reconhecer o resultado eleitoral, como é previsível, será necessário lutar por abrir, imediatamente, um processo de impeachment relâmpago da presidência. Nestas circunstâncias, a mobilização de massas será indispensável. Em última análise será o fator decisivo.

Os neofascistas mostraram os dentes. Chegou a hora da esquerda confirmar que tem disposição de morder. Sangue quente e cabeça fria, glacial. O desafio principal, neste momento da campanha eleitoral é reconquistar nas ruas a supremacia política, no próximo sábado dia dez de setembro.

As análises não devem ser nem otimistas, nem pessimistas. O método do marxismo é o realismo revolucionário. Somos a maioria social, mas a presença nos Atos permanece estagnada. Chegámos ao limite?

Nestas eleições municipais, Bolsonaro não conseguiu erguer a Aliança pelo Brasil. Não foi moído, esmagado, mas sofreu uma derrota eleitoral. A extrema-direita não foi além de 10% em média nas grandes cidades, com poucas exceções. Análise de Valério Arcary.