Rita Calvário

Rita Calvário

Dirigente do Bloco de Esquerda, engenheira agrónoma.

Com a crise da financeira e económica instalada, a crise ecológica passou para segundo plano. Mas pior que o “apagão” ecológico, é voltarmos a assistir a um recuo na proteção ambiental mínima existente.

Colocar no centro das soluções a "economia verde" é, em termos gerais, justo. O problema é quando esta transição verde não questiona nem transforma os fundamentos da economia que existe, o capitalismo.

Com a crise dos preços alimentares de 2008, não só engrossaram as fileiras da fome e da sub-nutrição nos países mais pobres, como se intensificou a corrida internacional à apropriação de terra nesses países.

Só no ano de 2011 foram entregues 6.900 casas aos bancos. Perante o abuso do sistema financeiro é preciso ter uma lei que proteja a parte mais frágil da relação contratual, os particulares sobre-endividados.

O capitalismo precisa de classes para sobreviver como precisa de não ter limites ao crescimento da produção, distribuição e consumo num Planeta que é finito.

Mais medidas de austeridade que repetem uma receita já bem conhecida. Uma receita que não cura a doença, mas agrava-a. A Grécia exemplifica bem como esta cura é, ela própria, a doença.

Pelos vistos, não haverá mais escolas públicas, apenas encerramentos de escolas públicas para dar tudo às escolas privadas. E, neste caminho, a universalidade só será garantida através da subsidiação pública das escolas privadas.

Em 35 anos de democracia, o país nunca conseguiu resolver a falta de habitação, apesar de ter construído casas a mais e de existirem milhares de casas que estão vazias.

Na sua ânsia privatizadora, o Governo pretende ir mais longe que o seu antecessor e o memorando da troika ao anunciar novas privatizações: entre elas, encontra-se o Grupo das Águas de Portugal.

As medidas [do plano da troika, subscrito por PS, PSD e CDS-PP, para o mercado habitacional] são de uma violência social extrema e não resolvem nenhum dos problemas da habitação do país.