Pedro Amaral

Pedro Amaral

Natural da ilha de Santa Maria, estuda Filosofia no Porto. Membro da Comissão Coordenadora Regional dos Açores do Bloco de Esquerda.

Os Açores fazem parte deste planeta, não só vão sentir os efeitos do aquecimento global, como já os sentem.

Tentar expandir horizontes, para compreender o mundo que nos rodeia e o nosso papel nele. Estes projetos têm em comum quatro aspetos: quererem aumentar a participação cívica, o debate e ação; serem um grupo informal de jovens e alicerçarem-se digitalmente.

António Ventura é um político [do governo dos Açores] com uma forte veia lírica: não contente com a invenção da máquina do tempo, na semana passada decidiu abraçar o pragmatismo afirmando «quando há excesso de população, abate-se». Quando vamos ter uma região que se preocupa com as pessoas?

Bárbara Tinoco juntou-se a uma nova vaga de artistas, que reinventaram a música de intervenção portuguesa. Uma geração que, pelo pop, tendo um grande público, não tem medo de se expressar sobre assuntos que podem ser vistos como tendo uma dimensão política.

É obrigação da democracia debater formas de se melhorar: o objetivo é a sua radicalização, o aprofundamento progressivo dos valores democráticos. As alterações constitucionais não devem ser temidas, são necessárias. Não obstante, uma democracia deve punir o discurso de ódio.

É inconcebível que, num arquipélago onde nem existe transporte de passageiros por via marítima ao longo de todo o ano, se venha retirar das pessoas aquele que é o seu meio de transporte. Temos mar que nos separa e querem privatizar as canoas que detemos.

É triste 2023 ser o ano em que o orçamento regional [dos Açores] para a cultura é o mais baixo da sua história democrática (um corte de 27,3% em relação ao ano passado).

Recentemente temos vindo a assistir à utilização do vocábulo “colaborador” em vez de “trabalhador”. Esta mudança, aparentemente inofensiva, prejudica na verdade o trabalhador porque lhe retira a noção mais básica daquilo que um trabalhador faz: o trabalho.

No passado dia 4 de agosto, Mário Ferreira tornou-se o primeiro português no espaço. A bordo da Blue Origin realizou uma viagem de quase 11 minutos, dos quais 3 foram passados em gravidade zero. Mário Ferreira é, portanto, um herói nacional. Só que não.

Se os jovens se levantam para defender o seu futuro só uma coisa poderá acontecer: um futuro melhor virá.