Gilbert Achcar

Gilbert Achcar

Professor de Estudos de Desenvolvimento e Relações Internacionais na SOAS, Universidade de Londres. Entre os seus vários livros contam-se: The Clash of Barbarisms: The Making of the New World Disorder; Perilous Power: The Middle East and U.S. Foreign Policy, com Noam Chomsky; The Arabs and the Holocaust: A Guerra de Narrativas Árabe-Israelita; The People Want: A Radical Exploration of the Arab Uprising; e The New Cold War: The United States, Russia and China, from Kosovo to Ukraine. Leia mais em gilbert-achcar.net

Se toda esta fúria sionista e pró-Israel contra a posição de Karim Khan indica alguma coisa, é a importância desta posição que não é exagero descrever como histórica.

Em entrevista ao L’Humanité, Gilbert Achcar analisa as intenções de Israel ao atacar o consulado do Irão em Damasco, a forma da retaliação iraniana e as suas consequências.

O branqueamento dos judeus derivou para uma admiração por um Israel visto como super-branco, um posto avançado do supremacismo branco no Médio Oriente. Quando este se lança numa fúria de assassínio e destruição em Gaza, a reação inevitável é um ressurgimento de um antissemitismo centrado no Estado israelita.

Israel já lançou sobre a Faixa de Gaza uma quantidade de explosivos equivalente a duas bombas atómicas como as de Hiroshima, destruindo 70% dos edifícios do enclave e matando mais de 27.000 pessoas. Uma enorme catástrofe com impacto político na história da região e do mundo.

Biden tem responsabilidade direta pelo massacre perpetrado pelas forças israelitas em Gaza. As exortações para que Israel seja mais “humanitário” são ocas. O seu desacordo com o primeiro-ministro israelita sobre o plano para o dia seguinte à guerra não altera a responsabilidade conjunta pela própria guerra.

A probabilidade de uma nova agressão maciça lançada pelo Estado sionista contra o Líbano tornou-se, de facto, muito elevada. O governo israelita está a encurralar o Hezbollah, exigindo-lhe que retire a sua presença militar para norte do rio Litani.

Daqui a alguns dias a guerra passará a uma quarta fase, com o reforço do controlo israelita sobre a maior parte da Faixa de Gaza através de uma "guerra de menor intensidade", destinada a erradicar toda a resistência remanescente nessas áreas e a destruir a rede de túneis que se encontra por baixo delas.

Nesta entrevista, Gilbert Achcar fala das diferentes visões do conflito nos vários pontos do globo e diz temer que o ciclo de violência alastre à Europa se o direito internacional continuar a não ser respeitado por Israel na Palestina.