Fernando Rosas

Fernando Rosas

Historiador. Professor emérito da Universidade Nova de Lisboa. Fundador do Bloco de Esquerda

Fernando Rosas, em artigo divulgado no jornal Público, intervém na polémica que tem oposto os historiadores Rui Ramos e Manuel Loff, a propósito da visão “normalizada” do Estado Novo que o primeiro quer impor como consensual.

As derrotas, quando bem analisadas, ensinam-nos seguramente mais do que as vitórias.

Retomando o velho e sempre novo combate pela democracia política e social, pela justiça social, pelos direitos de quem trabalha, pela escola pública, pela saúde e pela segurança social para todos.

Foi preciso uma prestigiada revista alemã divulgar as diligências da justiça desse país sobre os contornos poucos claros do negócio dos dois submarinos adquiridos por Portugal, para que PS e PSD pareçam ter acordado do habitual torpor e silêncio a que se remeteram sobre o assunto. Em boa hora o fizeram, juntando-se ao Bloco de Esquerda que há muito tem alertado para a necessidade de esclarecimento público sobre os principais negócios militares e os programas de contrapartidas que lhes estão associados.

Começo por uma declaração de interesses e por um agradecimento. Sendo como sou, deputado e membro da Comissão política do BE, estou reconhecido ao jornal I por esta oportunidade de poder explicitar o sentido do meu voto no próximo dia 27 com uma reflexão pessoal que pretende ir além do imediatismo da divulgação política, entrando, é certo que necessariamente algo à pressa, no campo do meu ofício de historiador.

O balanço ritual que aqui somos chamados a fazer sobre o processo de construção europeia em 2008 - tão ritual que o respectivo relatório e extensa documentação anexa só foi distribuído aos grupos parlamentares à última da hora - e sobre a participação nele do Governo português, tem de ser analisado à luz dos seus resultados em 2009.