A Infanta Cristina em tribunal. Incrível. Imputada por suposto delito fiscal e de branqueamento de capitais. Quem poderia imaginar há dez anos atrás que isto podia acontecer?
A pobreza, atualmente, já não implica apenas não ter trabalho, o dinheiro não chegar até ao fim do mês, não poder pagar a renda da casa ou a prestação do empréstimo, mas também, não poder acender a luz, tomar um duche ou ter aquecimento.
Que têm em comum Telefónica, HP-Hewlett Packard e Panrico? Trabalhadores que não se rendem, que se negam a aceitar mais chantagens, que perante as políticas insuportáveis de precariedade disseram “basta”.
A menos Estado social, mais Estado penal e punitivo. Hoje, na Catalunha, lutar contra os despejos, os despedimentos, os cortes na saúde e na educação... é tipificado de delinquência e, portanto, suscetível de ser espiado, denunciado e penalizado.
“Começa o dia com um sorriso”, diziam-nos até há pouco tempo os anúncios dos Donuts. Mas nas fábricas da Panrico já não se trocam sorrisos. De há uns tempos para cá, a vida do seu pessoal converteu-se numa roleta russa.
A 11 de setembro somos muitos os que vamos cercar o La Caixa, a máxima expressão do capital financeiro catalão. Fazemo-lo, também, porque os bancos são os máximos responsáveis pela crise e o La Caixa é o maior banco da Catalunha.
Comida há, o que falta é justiça na sua distribuição. Não se trata de aumentar a produção, nem de engendrar hambúrgueres nos laboratórios, nem de mais agricultura transgénica. Trata-se, simplesmente, de que exista democracia na hora de produzir e distribuir os alimentos.
A paciência é como um copo de água que se enche e enche e enche e, no final, acaba por se derramar. Nunca sabemos qual será a gota definitiva que fará as pessoas saírem à rua, em massa, e dizerem “já basta”. Mas o que é certo é que, mais tarde ou mais cedo, esse momento chega.