Cristina Semblano

Cristina Semblano

Doutorada em Ciências de Gestão pela Universidade de Paris I – Sorbonne; ensinou Economia portuguesa na Universidade de Paris IV -Sorbonne e Economia e Gestão na Universidade de Paris III – Sorbonne Nouvelle

Na realidade, a França gera o terrorismo que diz combater e que por seu turno se volta contra ela.

Em Portugal, mais nada será como dantes. Um Presidente quis pôr no poder pela força o partido único da agenda neoliberal europeia: ao tentar passar em força, acelerou a “rebeldia” que o voto dos portugueses tornou possível. Artigo publicado em Mediapart

Ao dirigir-se ao consulado de Londres, no início deste mês, após alguns dias passados em Portugal, o Tiago veio a saber que não podia votar no próximo ato eleitoral. Para tal, era necessário ter-se ido recensear até à data limite de 4 de Agosto.

Como é que esses novos emigrantes, a população estrangeira mais numerosa a chegar atualmente a França, poderão acolher o discurso de um Presidente que diz que Portugal é um país bom para investir?

A exibição de Portugal como um animal de circo pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo seu ministro das Finanças, Wolfgang Schaüble, com o objetivo de demonstrar a pertinência das políticas de austeridade da Troika face à Grécia, revela má fé. Publicado em francês em Mediapart.

Vendo sucessivamente desmentida por Nicolas Sarkozy e François Hollande a crença, neles depositada, de poder infletir os ditames de Bruxelas, parte do eleitorado voltou-se para a extrema-direita que preconiza abertamente romper com a base de subordinação a esses ditames.

O “triunfo” do governo português, após a saída do programa de ajustamento da Troïka, denota má-fé, constata a autora, em artigo publicado em Mediapart. Neste artigo, ela detalha os mecanismos que levaram a que a economia do país se encontre numa situação “bem mais deteriorada do que a que havia determinado a sua implementação”.

Após dois anos e meio e milhares de milhões de euros de sacrifícios impostos à população, Portugal é um país mais pobre, reatou com as taxas de natalidade do século XIX e a emigração em massa da era da ditadura. 

Publicamos no esquerda.net os poemas Camarada (dedicado a Alexis Tsipras), Renascer e Ibéria. São três inéditos de Cristina Semblano, Poeta, autora de A Minha Língua, Confessions en portugais et en français, Edition Lusophone, Paris, 2004 e O Murmúrio do Poço, Palimage, Coimbra, 2011.

Os que emigram, hoje, não são só jovens qualificados (licenciados) como gostam de repetir ad nauseum os nossos governantes em espasmos de autosatisfação.